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segunda-feira, 6 de junho de 2016

Espírito de conhecimento



Espírito de conhecimento
C.H. Spurgeon

Ele é o Espírito de conhecimento. "Ele vos guiará a toda a verdade." Nisto, precisamos do Seu ensino. Temos urgente necessidade de estudar, pois o mestre de outros precisa instruir-se. Subir ao púlpito normalmente despreparado é presunção imperdoável. Nada poderá rebaixar-nos mais efetivamente, e ao nosso oficio. 

Depois de um discurso que o bispo de Lichfield fez em visita oficial, discurso sobre a necessidade de zeloso estudo da Palavra, certo clérigo disse à sua reverendíssima que não podia crer em sua doutrina, "pois", disse ele, "muitas vezes, quando estou no gabinete pastoral, pronto para pregar, não sei sobre o que vou falar, mas vou para o púlpito, prego, e não penso em nada disso." O bispo respondeu : "E você está certo em não pensar nada disso, pois os oficiais da igreja me disseram que partilham da sua opinião."Se não somos instruídos, como podemos instruir outros? Se não nos dedicamos a pensar, como podemos levar outros a pensar? É em nosso labor de estudar, nesse bendito trabalho em que estamos a sós com o Livro diante de nós, que precisamos da ajuda do Espírito Santo. Com Ele está a chave do tesouro celeste, e pode enriquecer-nos além da nossa imaginação. Com Ele está o guia da doutrina mais labiríntica, e pode conduzir-nos no caminho da verdade. Pode romper os portais de bronze e picar em pedaços as barras de ferro, e dar-nos os tesouros das trevas e as riquezas ocultas dos lugares secretos. 

"Se não somos instruídos, como podemos instruir outros? Se não nos dedicamos a pensar, como podemos levar outros a pensar?"

Se vocês estudarem os originais, consultarem comentários e meditarem profundamente, mas deixarem declamar vigorosamente ao Espírito de Deus, o seu estudo não lhes trará proveito. Entretanto, ainda que lhes seja vedado o emprego daqueles recursos (o que confio não lhes suceda), se esperarem do Espírito Santo em simples dependência do Seu ensino, aprenderão muito da intenção divina.

O Espírito de Deus nos é peculiarmente precioso, porque de modo muito especial Ele nos instrui sobre a pessoa e a obra de nosso Senhor Jesus Cristo; e este é o ponto principal da nossa pregação. Ele toma coisas de Cristo e no-las mostra. Se tomasse coisas de doutrina ou preceito, ficaríamos contentes por essa bondosa assistência. Mas, visto que se deleita especialmente nas coisas de Cristo, e focaliza a Sua sagrada luz na cruz, regozijamo-nos ao ver o centro do nosso testemunho iluminado tão divinamente, e nos asseguramos de que a luz se difundirás obre todo o restante do nosso ministério. Busquemos ao Espírito de Deus com este brado: "Ó Espírito Santo, revela-nos o Filho de Deus, e assim mostra-nos o Pai."Como Espírito de conhecimento, não só nos instrui quanto ao evangelho, mas também nos leva a ver o Senhor em todas as outras coisas. 

Não devemos fechar os nossos olhos para Deus na natureza, ou na história geral, ou nas ocorrências providenciais diárias, ou em nossa experiência pessoal. E em todas estas coisas, o nosso Intérprete da mente de Deus é o bendito Espírito. Se clamamos: "Ensina-me o que queres que faça"; ou, "mostra-me o motivo pelo qual contendes comigo"; ou, "dize-me qual é a Tua intenção nesta rica previdência de misericórdia"; ou,"revela-me o Teu propósito naquela outra dispensarão mista de juízo e graça" – seremos bem instruídos em cada caso. 

Pois o Espírito é o candeeiro de sete braços do santuário, e pela Sua luz todas as coisas podem ser vistas corretamente. Como Goodwin observa bem : "É preciso haver luz acompanhando a verdade, se temos de conhecê-la. Prova-nos isto a experiência de todos os homens envoltos na graça de Deus. Qual a razão por que vocês vêem algumas coisas num capítulo numa ocasião, e não em outra; alguma porção da graça em seus corações numa ocasião, e não em outra; têm um vislumbre das realidades espirituais numa ocasião, e não em outra? Os olhos são os mesmos, mas é o Espírito Santo que abre e fecha esta lanterna de furta-fogo, como eu poderia chamar-lhe. Conforme Ele abre mais, ou a aperta, ou a fecha, estreitando-a, temos maior ou menor visão. E às vezes Ele a fecha totalmente, e então a alma fica na escuridão, embora seus olhos nunca tenham estado tão bons." Amados irmãos, Não deixem de ir a Ele em busca desta luz, ou ficarão nas trevas e serão guias cegos de cegos.

Este é o oitavo e último post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre Espírito de Sabedoria.

Muito obrigado a todos que acompanharam as 8 publicações da série!

Caso não tenham lido, segue abaixo o link com as sete anteriores:


terça-feira, 10 de maio de 2016

Espírito de discernimento


Quem já ouviu falar de Charles Haddon Spurgeon – conhecido como "o príncipe dos pregadores" – certamente ficou sabendo da sua graça, inteligência e sabedoria espirituais, e da grande influência que exerceu, não somente no seu próprio ministério, como também na vida e ministério de muitos outros pastores e obreiros cristãos. Como experiente servo de Deus ele foi uma luz que brilhou entre os seus contemporâneos. 

A partir de hoje publicarei uma série de 8 posts com trechos do livro de Spurgeon, Lições aos meus alunos (Vol. 1), que tratam sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério, conforme a lista abaixo:

1. Ele é o Espírito de conhecimento
2. Ele é o Espírito de sabedoria
3. Ele é a brasa viva tirada do altar
4. Ele age como óleo que unge
5. Ele produz efeito concreto decorrente do evangelho
6. Ele faz intercessão pelos santos
7. Ele é o Espírito de Santidade
8. Ele é Espírito de discernimento

Espírito de discernimento
C.H. Spurgeon

Uma vez mais, precisamos do Espírito Santo em Sua qualidade de Espírito de discernimento, pois Ele conhece as mentes dos homens como conhece a de Deus, e necessitamos muito disto quando lidamos com personalidades difíceis. Há neste mundo alguns indivíduos que talvez pudessem receber permissão para pregar, mas que nunca deveríamos tolerar que se tornassem pastores. São desqualificados mental ou espiritualmente. 

Na igreja de São Zeno, em Verona, vi uma estátua daquele santo, representando-o sentado. O artista lhe deu pernas acima dos joelhos tão curtas que ficou sem colo para abrigar crianças, de modo que ele não poderia ser um pai bom para aconchegar os filhos. Receio que haja muitos outros que trabalham com semelhante falta de habilitação. Não podem levar a sua mente a entrar de coração nos cuidados pastorais. São capazes de dogmatizar sobre uma doutrina e de polemizar sobre uma ordenança, mas, entrar em compassiva empatia com uma experiência alheia está longe deles. Uma pessoa assim só pode prestar frio consolo às consciências aflitas. Seu conselho terá o mesmo valor do conselho dado pelo montanhês escocês que, segundo contam, viu um inglês afundando num pântano em Ben Nevis. "Estou afundando!", gritou o viajante. "Você pode dizer-me como sair daqui?" O montanhês calmamente replicou: "Acho que é provável que você não vá conseguir sair daí nunca", e seguiu seu caminho. Conhecemos ministros dessa laia. Ficam confusos e quase perdem a paciência com os pecadores, lutando à beira do desânimo. Se eu e você, despreparados para a arte do pastoreio, fôssemos colocados entre ovelhas e cordeiros no início da primavera, que haveríamos de fazer com eles? 

Na mesma perplexidade se acham os que nunca foram ensinados pelo Espírito Santo sobre a maneira de cuidar das almas. Oxalá as Suas instruções nos livrem de tão desditosa incompetência! Sobretudo, irmãos, por mais ternura de coração ou amorosa preocupação que tenhamos, não saberemos tratar da imensa variedade de casos, a não ser que o Espírito de Deus nos dirija, pois não existem dois indivíduos iguais. E mesmo um caso idêntico a outro requererá tratamento diferente em diferentes ocasiões. Num período poderá ser melhor consolar, noutro repreender. E a pessoa de quem você se compadeceu com empatia até às lágrimas hoje, talvez necessite que a enfrente com olhar carrancudo amanhã, por dizer tolices da consolação que você lhe deu. Os que curam os quebrantados de coração e proclamam libertação aos cativos precisam ter sobre si o Espírito do Senhor. Na supervisão e direção de uma igreja é necessário o auxílio do Espírito. 

No fundo, o principal motivo da divisão de nossa denominação está na dificuldade proveniente do nosso governo eclesiástico. Tem-se dito que "tende à intranquilidade do ministério." Sem dúvida, é muito penoso para quem suspira pelas dignidades oficiais e sente necessidade de ser o Excelentíssimo Senhor Oráculo, diante de quem até um cachorro fica proibido de latir. Os incapazes de dirigir algo além de bebês são justamente as pessoas que têm maior sede de autoridade e, vendo-se mal aquinhoados dela nestas partes, procuram outras regiões. Se você não pode governar-se a si próprio, se não é varonil e independente, se são é superior quanto ao peso moral, se não tem maior dom e graça do que os seus ouvintes comuns, poderá vestir uma toga e ter a pretensão de ser o líder da igreja – mas, não numa igreja de governo batista ou neotestamentário. 

De minha parte, detestaria ser pastor de pessoas que nada têm que dizer, ou que, se chegam a dizer algo, bem podiam ter ficado caladas, pois o pastor é Sua Excelência, o Soberano, e os demais são leigos – cada qual um João-ninguém. Preferiria antes ser líder de seis homens livres, cujo entusiástico amor fosse o meu único poder sobre eles, do que bancar ditador de uma vintena de nações escravizadas. Que posição é mais nobre do que a do pai espiritual que não se arroga autoridade e, todavia, é estimado por todos, e cuja palavra é dita apenas como terno conselho mas é recebida como tendo força de lei? Ao consultar os desejos de outros, vê que o primeiro desejo deles é saber o que ele recomenda e, cedendo sempre aos desejos de outros, vê que se alegram em ceder aos seus. Amorosamente firme e generosamente gentil, é o chefe de todos porque é servo de todos. Isto não requer sabedoria do Alto? Que poderia ter maior necessidade dela?

"Preferiria antes ser líder de seis homens livres, cujo entusiástico amor fosse o meu único poder sobre eles, do que bancar ditador de uma vintena de nações escravizadas."

Quando Davi se estabeleceu no trono, disse: "É Ele que submete a mim o meu povo." E assim pode falar todo feliz o pastor quando vê tantos irmãos de temperamentos diversos querendo alegremente estar sob disciplina e aceitar a sua liderança na obra do Senhor. Se o Senhor não estivesse entre nós, logo haveria confusão. Ministros, diáconos e presbíteros, todos precisam ser sábios, mas se o pombo sagrado parte, e o espírito de contenda entra, é o fim para nós. Irmãos, o nosso sistema não funcionará sem o Espírito de Deus, e me alegra que não funcione, pois as suas paralisações e suas rupturas chamam a nossa atenção para o fato da Sua ausência. Nunca se teve a intenção de que o nosso sistema promovesse a glória de sacerdotes e pastores, mas é planejado para educar cristãos varonis, que não releguem a sua fé a segundo plano. Quem sou eu, e quem são vocês, para que devamos ser senhores dominando a herança de Deus? Algum de nós se atreverá a dizer com o reí francês, "L'état, c'est moi" – o estado sou eu" – eu sou a pessoa mais importante da minha igreja? Se for assim, não é provável que o Espírito Santo faça uso desses instrumentos inadequados. Mas se conhecemos os nossos lugares e desejamos conservá-los com toda a humildade, Ele nos ajudará, e as igrejas florescerão sob os nossos cuidados.

Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós e estejamos atentos a voz do Seu Santo Espírito!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Por que fazemos o que fazemos?


Salomão, filho de Davi e sábio rei, escreveu: "Quando eu era filho em companhia de meu pai, tenro e único diante de minha mãe, então ele me ensinava e dizia: retenha o teu coração as minhas palavras, guarda os meus mandamentos e vive; adquire a sabedoria, adquire o entendimento e não te esqueças das palavras da minha boca, nem delas te apartes. Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá." (Pv 4.1-6)

É notório nos dias de hoje a busca pela informação e pelo conhecimento. É a propagação da chamada democratização da informação, tão bem executada pelo Google. Nunca tivemos uma variabilidade tão grande de informações a nossa disposição e de acesso cada vez mais rápido e fácil.

Entretanto, a mesma rede que nos permite acessar as informações e adquirir mais conhecimento, é a mesma que muitas vezes nos priva de ir mais fundo. É uma avalanche de informações superficiais, frases isoladas e conteúdos midiáticos. E o que é pior, a chamada "vida sempre na correria" acaba nos conformando que é assim mesmo. 

É uma pena! Pois o mesmo homem que não para em busca da sabedoria e entendimento, é o mesmo que reclama que não tem tomado decisões acertadas em sua vida. Não é possível? Tanta informação e conhecimento não são suficientes? 

Russel Ackoff, pesquisador, consultor e um dos pensadores mais respeitados no mundo dos negócios nos EUA, disse: "É possível sobreviver sem entendimento, mas não prosperar. Sem compreender não se pode controlar as causas; Só tratam o efeito, suprimindo os sintomas. Com a compreensão pode-se projetar e criar o futuro ... as pessoas em uma época de mudanças aceleradas aumentam as incertezas, crescem a complexidade por adquirir mais informação e conhecimento, mas sem entendimento".

Por que fazemos o que fazemos? Precisamos exercitar mais essa pergunta em nossas vidas. Porém, com bastante seriedade para não cairmos na resposta padrão: "Eu faço porque todo mundo faz." Isso não é sabedoria e muito menos entendimento.

"O princípio da sabedoria é: Adquiri a sabedoria sim, com tudo o que possuis, adquiri o entendimento." Pv 4.7