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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Tão pobre, tão pobre que só tem ...


O jovem de apenas 13 anos saiu de sua cidade para buscar novas oportunidades na grande capital. Ele tinha ouvido falar que lá tudo era possível. Ele então foi sozinho, pois perdera seus pais muito cedo. Aliás, sua jornada de vida em tão pouco tempo já era um roteiro de muitos sofrimentos, mas também de muitas superações. 

Ao chegar na grande cidade ele percebeu que haviam muitos caminhos a trilhar. Alguns deles fáceis, outros mais difíceis, alguns lícitos outros não. Seja como for, ele tinha um sonho. Enquanto ele dormia em noites frias debaixo dos carros nas ruas da cidade, ficava olhando os homens de terno chegando para entrar no maior cinema da época. Ele então dizia silenciosamente "Um dia eu também estarei de terno de cabeça erguida neste cinema". 

A partir do seu sonho ele começou a trabalhar como carregador de caminhões. Apesar do trabalho duro e cansativo, ele tratava todos com respeito. Não havia carregador mais educado e gentil, apesar da sua pouca educação formal, ele se destacava por sua generosidade, educação e gentileza. Todas as pessoas que passavam por ele, independente do seu nível social, as tratava com respeito e cordialidade. Palavras como: "bom dia", "por favor", "com licença" faziam parte do seu vocabulário habitual. O seu vigor e entusiasmo eram contagiantes. Todos os dias ele acordava com a certeza que aquele dia seria melhor que o dia anterior.

Um dia o dono do armazém o chamou e perguntou se ele não gostaria de trabalhar internamente e ele aceitou. Foi aí que ele começou a conhecer a outra face dos homens. Ele começou a perceber que a construção do seu sonho iria começar, mas teria que superar também outros desafios. Pois na medida que ele começava a subir gradativamente na piramide social, ele começou a perceber que a pobreza não estava relacionada apenas a TER ou não DINHEIRO. Ele percebeu que existiam pessoas que eram tão pobres, tão pobres, mas tão pobres, que SÓ tinham DINHEIRO. Ao longo da sua vida ele passou por muitas dificuldades, teve muito dinheiro e pouco dinheiro, mas nunca deixou de ser rico. Pois a riqueza que ele tinha ninguém podia tirar dele.

Ele dizia assim: "Meu filho, quando for convidado por alguém para ir até sua (dele) casa, não preste atenção na casa, seja ela grande ou pequena, bonita ou feia, mas dê atenção aos que moram nela. Desta forma, você perceberá se realmente são ricos."

Esta é uma pequena parte da história do meu amado e para sempre meu grande mestre aqui neste mundo, meu PAI.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Viver o Cristianismo é simples, mas não é fácil


Infelizmente hoje está na moda criticar a Igreja. Mas, afinal o que está acontecendo? Existe uma expectativa errada a respeito do que as pessoas esperam da Igreja? O que deve se esperar de uma Igreja? A Igreja além de deixar claro o seu propósito está sendo coerente com as ações práticas?

Pensando em Igreja, podemos citar vários objetivos, tais como: enviar missões, organizar programações, construir sedes, cuidar da educação espiritual, criar departamentos, etc. O problema é quando a Igreja percebe tudo isso como objetivo e não como um canal, um meio. A Igreja existe para glorificar a Deus, evangelizar e discipular homens para Cristo na vida prática. E, se isso não acontece, a sede, a liderança, as missões, as pregações, a própria Bíblia não passam de uma perda de tempo.

Às vezes me vejo meditando sobre a vida Cristã e lembro-me de um livro que li chamado "Em seus passos o que faria Jesus?". Foi o primeiro livro cristão que li e que me fez perceber que a vida Cristã não era apenas uma questão de conhecimento sobre Deus. O livro nos leva a refletir sobre nossas ações como Cristãos e o que Jesus faria em nosso lugar diante de decisões e escolhas que temos que tomar em nossas vidas dentro e, principalmente, fora da Igreja.

O Cristianismo perde o sentido se for vivido apenas na Igreja. Mas isso todos já sabem não é? Sim, é verdade, sabemos. Porém, um propósito declarado é apenas uma declaração, ele só passa a ter credibilidade se observado na prática. As Igrejas estão criando e estimulando ambientes e práticas que incentivem uma vida verdadeiramente Cristã? Vejamos algumas algumas reflexões abaixo:

"Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes." Marcos 12:30,31. 

O que a declaração acima fala para a nossa vida prática? Como estamos amando a Deus em nossas ações no cotidiano? E amar ao próximo? Será se em nossa agenda nos importarmos com a pavorosa condição de homens, mulheres e crianças que estão morrendo, espiritual e fisicamente, necessitado de ajuda de cristãos? Será se nos importamos com milhares de pessoas que estão envolvidas em álcool e drogas, que morrem aos milhares todos os dias? O que estamos fazendo a respeito? Lendo, lendo e lendo a Bíblia, livros cristãos, tornando-se ovelhas gordas e mais gordas de teologia e sem nenhuma atitude prática? Isso é amar o próximo?

Conhecemos pessoas diariamente em dificuldades, sem emprego, sem trabalho, sem comida, com problemas de toda ordem, apelando muitas vezes para o suicídio quando veem que não estão conseguindo atingir seus objetivos. O que fazemos? Como Cristãos, podemos afirmar que não temos nada a ver com isso? Cada um deve cuidar de si? Não, não creio e nem aceito que deve ser assim. Não foi isso que Jesus ensinou. O que Jesus faria? Será se ele diria "Estou orando por você" e seguiria seu caminho tranquilo e confortavelmente?

Atualmente temos um número enorme de Igrejas e de Cristãos nominais. Mas é preciso uma reflexão profunda do que é ser Cristão. Penso que de uma forma não intencional muitas Igrejas estão fomentando um Cristianismo morno, um Cristianismo com muita ortodoxia e pouca ortopraxia, ou seja, muita teoria e pouca prática. Uma forma de discipulado centrado no crescimento pessoal e individual, formando ovelhas gordas, cheias de conhecimento, verdadeiros doutores da lei. Mas com pouco resultado prático. Quantos novos Cristãos foram discipulados por estas ovelhas? Poucos ou nenhum. Tem algo de errado! A ordem foi formai discípulos. Este modelo está produzindo um discipulado que o próprio Jesus Cristo não reconheceria como genuíno.

Se nossa definição de cristianismo se reduz a desfrutar os privilégios da adoração na Igreja, sermos generosos com os dízimos e ofertas, vivermos no conforto de nossos lares e buscar mais e mais conhecimento, então estaremos longe de seguirmos os passos de Jesus.

Viver o Cristianismo é simples, mas não é fácil. Temos que ter cuidado para não vivermos anos e anos numa vida Cristã fácil e nominal, sentados no banco de uma igreja, com a Bíblia debaixo do braço (ou no celular), elevando nossas vozes em cânticos de adoração e nos reduzindo a nós mesmos. Não acredito que é isso que Cristo quer para seus filhos.

sábado, 4 de junho de 2016

Espírito de Sabedoria



Espírito de Sabedoria
C.H. Spurgeon

O Espírito é chamado de Espírito de sabedoria e precisamos enormemente dEle nesta capacidade. Sim, pois o conhecimento pode ser perigoso, se não for acompanhado pela sabedoria, que é a arte de usar acertadamente o que conhecemos. Manejar bem a Palavra de Deus é tão importante como compreendê-la plenamente. Alguns que evidentemente compreenderam uma parte do evangelho, deram indevida proeminência a essa porção isolada e, portanto, exibiram um cristianismo deformado, para prejuízo daqueles que o receberam, visto que, em conseqüência disso, exibiram por sua vez um caráter deformado. 

"A sabedoria é a arte de usar acertadamente o que conhecemos."

O nariz é um trapo proeminente do rosto do homem. É possível, porém, fazê-lo tão grande que os olhos, a boca e tudo mais sejam lançados à insignificância. Um desenho assim é caricatura, não retrato. Do mesmo modo, certas doutrinas importantes do evangelho podem ser proclamadas com tal excesso que se lança o restante da verdade à sombra, e a pregação já não é o evangelho em sua beleza natural, mas uma caricatura do evangelho. Contudo, deixem-me dizê-lo, algumas pessoas parecem fortemente apegadas a essa caricatura.O Espírito de Deus lhes ensinará o emprego da faca sacrificial para dividir as ofertas. E lhes mostrará como usar as balanças do santuário, para pesarem e misturarem as preciosas especiarias em quantidades certas. Todo pregador experimentado sente que esse é o momento supremo, e bom será que seja capaz de resistir à tentação de negligenciá-lo.

Que lástima, alguns dos nossos ouvintes não desejam ouvir todo o conselho de Deus! Têm as suas doutrinas favoritas e gostariam de fazer-nos calar em tudo mais. Muitos são como a escocesa que, depois de ouvir um sermão, disse: "Estaria muito bem, se não fosse aquela droga de deveres no fim." Há irmãos dessa espécie. Desfrutam da parte consoladora – as promessas e as doutrinas – mas só de leve se deve tocar na santidade prática. A fidelidade requer que entreguemos o evangelho sob todos os ângulos, sem omitir nada e sem exagerar em nada. Para isto requer-se muita sabedoria. 

Com seriedade indago se algum de nós tem o tanto desta sabedoria que necessitamos. Provavelmente somos afligidos por algumas parcialidades inescusáveis e inclinações injustificáveis.Ponhamo-las para fora e acabemos com elas. Talvez tenhamos consciência de que passamos por alto certos textos, não porque não o compreendemos (o que poderia justificar-se), mas porque os compreendemos e raramente gostamos de dizer o que eles nos ensinaram, ou porque talvez haja alguma imperfeição em nós, ou algum preconceito entre os nossos ouvintes que aqueles textos revelariam de modo demasiado claro para que nos sentíssemos bem. 

Esse silêncio pecaminoso tem que ser eliminado imediatamente. Para sermos sábios mordomos e repartirmos as porções certas de alimento para os membros da casa do divino Senhor, precisamos do Teu ensino, ó Espírito de Deus! Tampouco isso é tudo, pois mesmo que saibamos manejar bem a Palavra de Deus, carecemos de sabedoria para a seleção da porção particular da verdade que é mais aplicável à ocasião e às pessoas reunidas. Como também de igual descrição no tom e na maneira de apresentar a doutrina. Creio de muitos irmãos que pregam sobre a responsabilidade humana, lançam-se de modo tão legalista que causam desgosto a todos os que amam as doutrinas da graça. Por outro lado, receio que muitos pregam a soberania de Deus de modo tal que afastam inteiramente da ala calvinista todas as pessoas que crêem na livre ação do homem. 

"Creio de muitos irmãos que pregam sobre a responsabilidade humana, lançam-se de modo tão legalista que causam desgosto a todos os que amam as doutrinas da graça. Por outro lado, receio que muitos pregam a soberania de Deus de modo tal que afastam inteiramente da ala calvinista todas as pessoas que crêem na livre ação do homem."

Não devemos ocultar a verdade por um momento sequer, mas devemos ter sabedoria para pregá-la sem que haja choque ou ofensa, e, sim, um esclarecimento gradativo daqueles que não conseguem vê-la de todo, e um processo pelo qual se conduzam os irmãos mais fracos ao pleno círculo da doutrina do evangelho. Irmãos, precisamos de sabedoria também no modo de colocar as coisas para diferentes pessoas. Pode-se demolir um ser humano com a mesma verdade destinada a edificá-lo. Pode-se causar enjôo a alguém com o mel com que se pretendia adoçar-lhe a boca. Tem-se pregado a grande misericórdia de Deus sem cuidado, o que tem levado centenas a licenciosidade. Por outro lado, tem-se ocasionalmente apregoado a terribilidade do Senhor com violência tão fulminante que tem levado muitos ao desespero, e daí a um decidido desafio ao Altíssimo. A sabedoria é proveitosa para dirigir, e aquele que a tem expõe a verdade na ocasião certa e trajada com as suas vestes mais apropriadas. Quem pode dar-nos esta sabedoria, se não o bendito Espírito de Deus? Irmãos,vejam que, com a mais humilde reverência, esperem a Sua direção.

"Pode-se demolir um ser humano com a mesma verdade destinada a edificá-lo. Pode-se causar enjôo a alguém com o mel com que se pretendia adoçar-lhe a boca. Tem-se pregado a grande misericórdia de Deus sem cuidado, o que tem levado centenas a licenciosidade. Por outro lado, tem-se ocasionalmente apregoado a terribilidade do Senhor com violência tão fulminante que tem levado muitos ao desespero, e daí a um decidido desafio ao Altíssimo."

 Este é o sétimo post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre O Espírito que é brasa viva.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Será se sabemos receber com gratidão?


Uma vez me surpreendi com um irmão que se aproximou e disse "Você se importaria de receber uma cesta básica?" Eu fiquei por um minuto sem entender o motivo da pergunta, mas com um olhar curioso perguntei o motivo, pois do ponto de vista de necessidade eu estava realmente precisando. A resposta foi a seguinte: "É que uma vez fomos ajudar uma pessoa que estava precisando e ela disse que não precisava de esmolas." Ou seja, o orgulho falou mais alto no coração daquela pessoa.

Dentro desse contexto, hoje compartilho com os leitores o devocional do livro Luz para o caminho de Willian MacDonald.

"Nunca me lavarás os pés" (João 13.8)

O Senhor acabara de cingir-se com uma toalha de linho e derramara água em uma bacia para lavar os pés dos Seus discípulos. Quando chegou a vez de Pedro, este reagiu recusando-se terminantemente: "Nunca me lavarás os pés".

Por quê? Por que Pedro não queria aceitar do Senhor esse amoroso serviço? Por um lado, ele pode ter sentido toda a sua indignidade; ele não se considerava digno de ser servido pelo Senhor. Mas existe a possibilidade da reação de Pedro ter sido motivada por orgulho e independência. Ele não queria ser um receber de assistência. Ele não queria depender da ajuda dos outros.

Essa mesma postura impede muitas pessoas de serem salvas. Elas querem merecer a salvação, mas consideram aquém de seu nível recebê-la como um dom gratuito da Graça de Deus. Não querem ficar devendo nada a Deus. Mas "aquele que é orgulhoso demais para ter um dívida eterna e infinita para com Deus jamais poderá tornar-se cristão" (James S. Stewart).

Esse verso também contém uma lição para os que já são cristãos. Todos nós conhecemos cristãos que são doadores quase compulsivos. Estão sempre fazendo alguma coisa pelos outros. Sua vida consiste unicamente em servir seus parentes e vizinhos. Sua liberalidade e disposição para ajudar merece muitos elogios. Mas todo ânimo tem um lado negativo! Eles jamis querem aceitar ajuda para si mesmos. Aprenderam a dar generosamente, mas não aprenderam a receber com gratidão. Gozam da benção e da alegria de servir ao próximo mas privam os outros dessa mesma benção.

Paulo mostrou-se um grato recebedor das ofertas dos filipenses. Ele lhes escreveu cheio de gratidão: "Não que eu precure o donativo, mas o que realmente me interessa é o fruto que aumento o vosso crédito!" (Filipense 4.17). Ele pensava mais na recompensa dos filipenses do que nas suas próprias necessidades.

"Conta-se que o bispo Westcott, no final da vida, afirmou ter cometido um grande erro. Pois enquanto ele sempre esteve disposto a ajudar os outros até os limites de sua capacidade, jamais esteve disposto a permitir que os outros fizessem alguma coisa por ele. Como consequência, em sua vida faltava um elemento de amorosidade e completude. Ele havia negligenciado o aprendizado de ser recebedor de muitos gestos de bondade que não podem ser retribuídos" (J.O. Sanders).

Um poeta desconhecido resumiu com acerto:

"Considero grande aquele que, por causa do amor,
consegue dar de coração grande e aberto;
mas quem consegue receber por causa do amor,
esse eu considero, creio eu, ainda maior."