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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

3 comportamentos que podem destruir a sua vida


Você sente que tem algo de errado?

O que eu estou fazendo com minha vida?

Você já passou ou passa por aqueles momentos difíceis, duros, que sabe o que está acontecendo, mas prefere não pensar a respeito para não ficar angustiado?

Você já parou pra pensar?

Você sabe o que precisa ser feito e não faz. Você é do tipo "depois eu faço"? 

Tudo faz sentido para você.

Você vive dizendo pra quem lhe aconselha: mentores, guardiões, pastores, pais, irmãos, dentre outros, as seguintes frases: "O que você está dizendo faz sentido", "Acho que estou no caminho errado" ou "Eu preciso mudar"

Mas você não faz nada!

Você quer um resultado diferente, uma vida diferente, uma vida melhor e continua agindo da mesma forma? Você colhe o que planta. Nâo tem como colher o que você não plantou! 

Essa introdução chamou sua atenção? Você conseguiu se identificar nessa situação?

Então vamos lá!

Vou compartilhar com você 3 comportamentos que vão destruir a sua vida e o que você deve fazer para eliminá-los:

1. DESCULPAS


Observo que as pessoas mais infelizes tem muitas desculpas para a sua realidade. Elas preferem não encarar a vida de frente e assumir suas responsabilidades. Mas, se agarram numa desculpa atrás da outra. Tornam-se viciadas em dar desculpas e nem percebem. Aliás, se torna tão comum que adquirem o hábito e passam a defendê-lo como um viciado que não consegue mais viver sem a sua droga. 

As desculpas não só impedem a sua felicidade, mas também tornam você impotente para enxergar uma forma de corrigir os erros e seguir no caminho da melhoria. Ora! Quando erramos, e erramos, é melhor assumir a responsabilidade de nossos erros e ter ajuda para corrigir o que precisa. Do que perder a oportunidade de melhorar e retomar o caminho dos acertos.

Esconder-se atrás de desculpas é, sem dúvida, a forma mais eficaz e rápida de continuar obtendo os mesmos resultados. E, num tempo talvez mais breve do que você imagina, todos os seus sonhos de melhoria irão para o ralo. 

Portanto, se você anda no caminho das desculpas, pare agora! Quanto mais você avançar neste terreno, mais você afundará! 


2. OMISSÃO



“Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para a banda direita do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes.” (João 21.5-6)

Em nossa jornada muitas vezes temos muitas oportunidades de fazer o que precisa ser feito. Mas, diferentemente do texto acima, nos omitimos de fazer. Se tem uma coisa que Deus não pode fazer por você é a sua parte. Não se trata de falta de poder, mas de justiça.

Você já parou pra pensar?

Quem são os seus mentores/amigos de hoje? Quem lhe orienta o que fazer e onde? O convite que eles estão fazendo vão te levar ao resultado que você espera? Ou vão torná-lo cada vez mais escravo da vida que você diz não querer ter?

Você aceita com tranquilidade o que faz de errado? Você acha que não fazer nada e esperar que algo de bom aconteça é o caminho?

Meu pai e mentor me falava uma frase que nunca esqueci: "Quem ri numa esquina, chora na outra." Ele falava esta frase no contexto de quem acha que vale a pena curtir a vida sem responsabilidade, pensar apenas no curto prazo ou buscar resultados por meios ilícitos. Pessoas assim, preferem a omissão do que enfrentar, lutar, persistir e com determinação, agir com o propósito certo.

No caso de você ter mentores de qualidade, você está fazendo a sua parte ou está se omitindo? Se a resposta é que está se omitindo, então não culpe os outros por seus resultados, a responsabilidade é toda sua!

Talvez as oportunidades que você diz que não tem estão batendo à sua porta todos os dias, através de pessoas que lhe orientam sobre "o quê",  "quando" e "onde" você deve lançar sua rede. Porém, você insiste em ignorá-las. Ou pior, você até dá atenção, mas apenas para cumprir tabela.

Portanto, se você anda no caminho da omissão, pare agora! Quanto mais você avançar neste terreno, mais você afundará!

3. INCOERÊNCIA

"Faça o que digo, mas não faça o que faço"

A frase acima representa muito bem o que ocorre na vida de muitas pessoas. Aliás, mais uma vez vou lembrar de Jesus. Ele conseguiu dar o exemplo de que a lei não era apenas para ser conhecida, lida e pregada nas cinagogas, era para ser vivida. Caso contrário, seria incoerente e pura hipocrisia.

Muitos ainda hoje vivem numa completa incoerência de vida, uma distância enorme entre o que dizem e o que fazem.

Pense bem?

Você é capaz de dar uma aula sobre muitos temas relevantes para melhorar a vida de alguém? Então você busca viver e tem os princípios e valores desses temas como alicerce e guias em sua vida prática, certo?

Se a resposta for NÃO. Então você é uma pessoa incoerente. E mais, você pode até não querer acreditar ou aceitar. Mas, eu vou lhe dizer com a mais absoluta certeza: as pessoas percebem a sua incoerência, pois você pode até enganar as pessoas por algum tempo, mas é impossível enganar as pessoas por muito tempo. O resultado disso? Você está a cada dia se tornando uma pessoa não confiável, atraindo para si pessoas não confiáveis e se afastando cada vez mais de pessoas confiáveis.

É isso que você quer pra você? Lembre-se, a confiança é a base de qualquer relacionamento.

Portanto, se você anda no caminho da incoerência, pare agora! Quanto mais você avançar neste terreno, mais você afundará!

Bem, estou chegando ao final! Mas, veja que curioso ...



Ao terminar o texto percebi que as iniciais dos 3 comportamentos formaram a palavra "DÓI". E é isso mesmo o que acontece com quem vive desta forma.

Mas, pense comigo! Normalmente quando estamos com alguma dor no corpo é um sinal que tem algo de errado. É necessário diagnosticar o que está causando a dor e tratar o problema na sua raiz, antes que ele tome uma proporção muito maior. É uma forma do corpo G R I T A R pra você, pedindo que você tome uma ação eficaz e não apenas um analgésico, um paliativo que vai tratar apenas o sintoma. 

Portanto, o meu propósito é alertá-lo através do compartilhar de pensamentos e questionamentos que podem levá-lo a pensar, a refletir, a agir e mudar para melhor. 

Mas, eu não tenho o poder de mudar VOCÊ! 

Aliás, se você não quiser, nada poderá ser feito!

Não é uma questão de tempo, idade ou maturidade, como muitos pensam. É uma questão que envolve o desejo de mudar e a ação voluntária de mudar. Eu disse AÇÃO!

Então, o que está esperando para fazer o que precisa ser feito?

Você tem agora apenas duas decisões: Continuar fazendo as mesmas coisas, colher os frutos amargos das suas escolhas e ter resultados cada vez mais distantes do que é melhor para você e para o seu próximo …

Ou decidir mudar, plantar novas sementes e colher os melhores frutos da sua vida.

Agora é com você!

Se as reflexões do artigo acima ajudaram você, por favor, compartilhe-o com seus amigos. Desse modo, você ajudará também outras pessoas.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O meu alicerce é Deus! Será?



Estava conversando com uma amiga sobre uma palestra e ela fez o seguinte comentário: "Eu acho tudo que falaram muito importante, mas se não tiver Deus como alicerce nada funciona."

A pergunta que faço hoje é: O que é ter Deus como alicerce?

Ter Deus como alicerce não é crê em Deus, pois, segundo a bíblia, em Tiago 2:19 se lê: “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem.” O que Tiago está dizendo é que a fé não é somente saber da existência  Deus.

Ter Deus como alicerce não é fazer uma oração todos os dias pela manhã como parte da sua rotina diária.

Ter Deus como alicerce não é fazer uma leitura diária da bíblia para cumprir seu plano de ler a bíblia em um ano e prestar contas com alguém que está lhe acompanhando se você fez ou não a leitura.

Ter Deus como alicerce não é comparecer a todas as programações da igreja.

Mas, afinal, se ter Deus como alicerce não é nada disso que foi mencionado acima, o que é? Antes de falar o que é ter Deus como alicerce, vamos voltar ao comentário e analisar melhor o que foi dito. Primeiro, a afirmação "se Deus não tiver como alicerce nada funciona" está errada. Pois, o contrário não é verdade "se tivermos Deus como alicerce tudo funciona."

É comum ouvir cristãos compartilhando suas "bençãos" quando o que eles esperavam em suas vidas se confirmou, ou seja, quando "tudo funcionou" conforme eles queriam. Mas, infelizmente, é raro ouvir Cristãos compartilhando momentos (pois não chamam de benção) em que não tiveram o que esperavam. Ora, a bíblia diz que devemos ser gratos em tudo, então só temos bençãos se tudo funcionar como esperamos que funcione? Ou, se tivermos Deus como alicerce (sem ao menos saber o que significa isso), quer dizer que tudo vai funcionar? Não, isso não é verdade! 

Ter Deus como alicerce é buscar viver com base nos valores e princípios que ele nos deixou. Mas deixou onde? Na bíblia. Então tudo o que foi dito acima está valendo? Sim e Não. Sim, se você está fazendo com o propósito certo e não se você está fazendo apenas para cumprir um ritual, um check list, para "ficar bem na foto" com outras pessoas, para não magoar alguém, para não gerar conflitos, etc. Veja que o propósito faz toda a diferença!

Ter Deus como alicerce é em todas as situações da vida, em qualquer momento ou lugar você usar como parâmetros de pensamentos, sentimentos, comportamentos, decisões, ações e escolhas os valores e princípios bíblicos que de fato darão sentido real a esta frase "Eu tenho Deus como alicerce".

Bem, se você tem interesse em ter uma vida alicercada em Deus, o caminho é:

  • Leia a bíblia como quem realmente tem interesse em aprender o que Deus tem a ensinar através da sua palavra;
  • Ore agradecendo pelo que tem e pedindo com sabedoria à Aquele que pode nos dar muito mais do que pensamos ou imaginamos;
  • Aplique o que tem aprendido, não importa se pouco ou muito, no seu dia a dia, no seu ambiente de trabalho, escola, faculdade e família. Fé sem obras não tem sentido!
  • Faça parte de uma igreja onde seus líderes tenham mais que uma "declaração de fé", mas busquem uma "vida de fé" alicercada em Deus;
  • Participe das programações da sua igreja não para cumprir tabela, mas para crescer juntamente com outros e aprender com o propósito de viver e compartilhar de uma vida Cristã cada vez melhor, diante de Deus e dos homens
  • Brilhe, seja luz! A bíblia diz que "Brilhem como o sol nascente aqueles que amam a Deus."

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O que Deus quer de mim?


Por Ana Vitória

"Aproximou-se dele um jovem e lhe disse: Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna? Jesus respondeu: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e farás um tesouro no céu, depois vêm e segue-me. Mas, ouvindo essas palavras, o jovem retirou-se triste, porque possuía muitos bens." Mateus 19.16-21-22

Diferente do que muitos podem pensar esta passagem não quer destacar o dinheiro ou bens materiais. Por que vocês acham que o jovem saiu triste? Porque ele não quis abrir mão das suas riquezas por Jesus. Assim como muitas vezes nós também não abrimos mão de atitudes, hábitos e desejos que desagradam a Deus, e ainda assim esperamos ter uma relação verdadeira com ele.

Para termos comunhão com Deus, ou seja, ter um relacionamento real com Ele, nós devemos estar dispostos a abrir mão.

Não podemos ter uma relação com Deus se não abrimos mão do nosso velho "eu". Deus não espera que sejamos perfeitos. Ele nos conhece por inteiro. Ele só quer que nós sejamos humildes para busca-lo  de forma sincera. Quando buscamos de todo o coração, Ele não nos desampara.

Deus é como um dentista. Geralmente, quando somos crianças não gostamos muito de ir ao médico. Por exemplo, quando sentimos uma dor grande no dente só falamos para nossa mãe muito tempo depois, quando já não dá mais para aguentar. Por quê? Porque sabemos que se formos ao dentista ele pode encontrar outros dentes que precisam de cuidados, vai fazer obturações, aplicar injeções e, talvez até ter que extrair algum dente. (comparação retirada do livro Cristianismo Puro e Simples).

De fato, muitas vezes é o que acontece conosco em relação a Deus. Vamos atrás Dele quando não aguentamos mais alguma dor, pode ser um relacionamento que não dá certo, um objetivo que não conseguimos alcançar, brigas com os pais, conflitos em casa, etc.

Muitas vezes buscamos a Deus a fim de apenas um ajuste, mas Ele não quer fazer apenas um reparo na sua vida. Ele quer fazer um tratamento completo. Mas, para isso você precisa permitir que Ele aja. Não faça como o jovem rico, que negou seguir a Jesus porque ele não soube abrir mão.

Deus não quer de você um pouco do seu tempo ou um pouco da sua atenção. Ele quer você por completo. Quer que você se esvazie de tudo para poder segui-lo. Deus não está interessado em seu dinheiro, naquela esmolinha que você deu ou aquela ajuda em matemática que você prestou pois teve pena do seu amigo(a) e ajudou. Ele não liga para atos vazios, sem amor.

Sabe aquela sua oração a jato, que em um minuto e meio você já está no décimo sono, só pra cumprir uma rotina? Ele não liga.

Ele quer saber o quanto você está disposto a segui-lo, e para isso, o quanto você abriria mão do seu velho eu. Deixe Deus agir . Ele vai fazer uma bagunça, virar você de cabeça para baixo e fazer uma transformação linda em sua vida.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O que é viver uma vida Cristã?

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Conforme 2 Coríntios 5:17: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”

Porém, que evidências podem ser vistas em uma pessoa que é uma nova criatura, o que se faz de novo nesta pessoa?

Creio que Jesus Cristo veio com a missão de trazer a boa nova do evangelho, cumprindo um plano que está relatado em João 3.16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

Mas também estou certo que Cristo veio a este mundo para ensinar o que significa viver para a glória de Deus. E, para isso, ele fez questão de viver como nós vivemos, sentir como nós sentimos, inclusive as nossas dores, medos, angustias, tristezas, alegrias, etc. Vejo que tudo isso foi necessário para entre outras coisas, não criar uma imagem de um Deus distante. Embora saibamos que ele não precisava disso para nos conhecer, mas fez questão se esvaziar. É o que diz em Filipenses 2.7 "Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens".

Vivendo entre o homens ele nos deixou muitas lições, mas uma das mais marcantes para mim é como podemos e devemos ser verdadeiros filhos de Deus em nosso dia a dia. De acordo com os relatos bíblicos, naquela época os religiosos tinham muito zelo pela palavra, e acredito que alguns até bem intencionados. Porém, Cristo mostrou que até mesmo algumas das leis tinham sido colocadas pela dureza do coração do homem. Demonstrando o que estava nos bastidores da criação. Em várias ocasiões no novo testamento Jesus repreende os religiosos por aplicarem a lei pela lei.

Nos dias de hoje também não é difícil observar práticas semelhantes, onde líderes e irmãos zelosos (até bem intencionados) acabam ensinando as pessoas que viver uma vida Cristã é saber a bíblia de A a Z, estar todos os domingos na igreja, não faltar aos cultos de oração, ler um versículo todos os dias no plano de leitura anual e não faltar a nenhuma programação da igreja. E é claro, ser fiel a Deus, associando esta fidelidade ao pagamento do dízimo. Claro que não falam desta forma declaradamente, mas julgam e cobram a partir destes parâmetros.

Não estou afirmando com as observações acima que sou contra igrejas, cultos, leitura bíblica ou dízimo. Infelizmente, esse tipo de contexto acaba gerando uma inconformidade, onde muitos cristãos fazem uma diferença entre vida espiritual, ligada as coisas chamadas "da igreja" ou "de Deus" e vida secular. Eu entendo que é um completo absurdo! Nós somos um ser completo, único, simplesmente temos vida. Não deveria existir esta divisão entre vida espiritual e vida "isso" ou vida "aquilo".

Tem um livro chamado: "Em seus passos o que faria Jesus", que trata bem esta temática. Pois nos faz refletir através da narrativa de várias histórias de pessoas, em diferentes áreas da vida, que estão na igreja todos os domingos, mas as decisões que tomam no seu dia a dia estão bem distantes dos ensinamentos de Cristo. Mas, num dado momento, ocorre um evento (que não vou contar, claro rsrs) que as fazem enxergar que os seus corações estão na prática longe de Deus, o que reflete em seus comportamentos, ações e decisões.

Devemos ser Cristãos em todos os lugares, pois Cristo habita em nós. Os ensinos de Cristo devem nortear as nossas vidas onde que que estejamos e em tudo que façamos. Isso é viver uma vida Cristã!

O que nos faz Cristãos zelosos pela palavra é viver em todas as áreas da vida: família, igreja, trabalho e lazer procurando aplicar os princípios e valores que Jesus Cristo nos ensinou através da sua palavra. E vamos conseguir? Nem sempre. Mas devemos perseguir este alvo. Quando nos colocamos diante Dele, com humildade, arrependidos, ganhamos um aliado (Cristo) que nos permite enxergar de uma nova perspectiva, e não somos mais enganados como éramos antes com as coisas deste mundo. Em Cristo somos mais que vencedores, somos cheios de sabedoria, alegria, paz, e temos o verdadeiro sentido para a vida.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Sexo, uma criação divina



Algumas pessoas têm a noção errada de que Deus é contra o sexo. É uma percepção equivocada, pois Deus é claramente a favor do sexo! Ele é o criador do sexo! Uma ideia incrível! Certamente não há e nem haverá um empreendedor no mundo que possa ter uma ideia melhor. Este é um assunto que não tenho o menor embaraço em falar e, certamente, Deus também não o tem. É importante lembrar que na Bíblia tem um livro dedicado a importância do sexo. É o livro Cântico dos Cânticos do velho testamento.

O meu propósito em escrever sobre este assunto é apresentar algumas verdades que talvez você não tenha escutado a respeito deste tema e permitir que você tenha uma visão clara e saudável sobre um assunto que é tão pouco falado nas igrejas e nas famílias.

Primeiramente, sexo não é pecado! Ter atração sexual por alguém, apreciar a beleza exterior, ter um desejo saudável pelo sexo em si são lícitos. Muitos cristãos interpretam o impulso sexual como uma maldição e não como uma benção. Isso é uma mentira! A nossa sexualidade foi criada por Deus.

Mas de que impulso estou falando? Estou falando de uma sensação que bate em nossa porta mais fortemente na transição entre a pré-adolescência e a adolescência. É quando os nossos hormônios começam a bombear e transformar o nosso corpo, cabelos aparecendo em lugares que antes não tinham, uma consciência sexual flamejante, forte e ardente começam a navegar por nosso sangue e ferver como um vulcão em erupção. Parabéns, se você passou por tudo isso, você é um ser humano! Ser uma pessoa com desejos sexuais é parte do que significa ser um homem criado à imagem de Deus.

É importante destacar e compreender que os nosso impulsos sexuais fazem parte da nossa natureza humana. Por exemplo:
  • Não tem nada demais em ser atraído por alguém ou perceber que esta pessoa é bonita;
  • Não tem nada demais em ter um forte desejo para praticar sexo;
  • Não tem nada demais em ficar excitado quando pensa em sexo
A questão fundamental em cada um dos exemplos acima é como reagimos a cada um dos estímulos e desejos dos nossos impulsos sexuais. 

Infelizmente muitas crianças, jovens e adultos tem uma visão deformada sobre sexo. Para mim, isso é consequência de uma exposição continua a falsas verdades, que foram alimentando suas mentes e corações. Assim, ao longo do tempo criaram um comportamento e ações completamente distorcidos sobre o sexo. 

Mas o que fazer? Vejo que há uma falha elementar que alimenta e dá espaço para as mentiras sobre o sexo que são difundidas no mundo. É a falta de tratar este assunto de forma clara, aberta, na medida certa e com os parâmetros certos. É preciso que a família e as igrejas pensem em maneiras de compartilhar sobre este tema de forma contínua e aberta. Eu reforço a forma aberta, pois o que vejo é cada vez mais sendo tratado dentro das famílias e nas igrejas como assuntos de bastidores, em reuniões separadas, como se fosse algo "de outro mundo" e não fizesse parte da natureza humana.

Temas como: "O desejo sexual do homem é diferente da mulher?", "O homem é estimulado diferente da mulher?" "Quem conquista, o homem ou a mulher?" São assuntos que certamente estão nos top five de dúvidas entres os jovens. Qual a razão de não tratar estes assuntos? Se não tratarmos, não tenham dúvida que eles encontraram quem trate, só não nos surpreendamos quando estiverem agindo com os parâmetros errados.

Saber que o desejo do homem é normalmente físico, enquanto o de uma mulher é mais emocional. Saber que normalmente o homem inicia o ato sexual e é estimulado visualmente e a mulher é estimulada normalmente por meio do toque. Saber que o homem é naturalmente um conquistador e isso o estimula e a mulher gosta de ser conquistada e até acha estimulante são informações que podem e devem ser compartilhadas para que todos saibam que Deus fez homens e mulheres para interagirem entre si. Compreender o plano de Deus ajudará a decidir que reações devem se seguir para que esses desejos e impulsos sejam usufruídos com a pessoa certa, no momento certo e da maneira certa. 

Se você gostou do assunto, procure saber mais sobre o que a bíblia fala sobre sexo e relacionamento. Tenho certeza que você vai se surpreender!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Viver o Cristianismo é simples, mas não é fácil


Infelizmente hoje está na moda criticar a Igreja. Mas, afinal o que está acontecendo? Existe uma expectativa errada a respeito do que as pessoas esperam da Igreja? O que deve se esperar de uma Igreja? A Igreja além de deixar claro o seu propósito está sendo coerente com as ações práticas?

Pensando em Igreja, podemos citar vários objetivos, tais como: enviar missões, organizar programações, construir sedes, cuidar da educação espiritual, criar departamentos, etc. O problema é quando a Igreja percebe tudo isso como objetivo e não como um canal, um meio. A Igreja existe para glorificar a Deus, evangelizar e discipular homens para Cristo na vida prática. E, se isso não acontece, a sede, a liderança, as missões, as pregações, a própria Bíblia não passam de uma perda de tempo.

Às vezes me vejo meditando sobre a vida Cristã e lembro-me de um livro que li chamado "Em seus passos o que faria Jesus?". Foi o primeiro livro cristão que li e que me fez perceber que a vida Cristã não era apenas uma questão de conhecimento sobre Deus. O livro nos leva a refletir sobre nossas ações como Cristãos e o que Jesus faria em nosso lugar diante de decisões e escolhas que temos que tomar em nossas vidas dentro e, principalmente, fora da Igreja.

O Cristianismo perde o sentido se for vivido apenas na Igreja. Mas isso todos já sabem não é? Sim, é verdade, sabemos. Porém, um propósito declarado é apenas uma declaração, ele só passa a ter credibilidade se observado na prática. As Igrejas estão criando e estimulando ambientes e práticas que incentivem uma vida verdadeiramente Cristã? Vejamos algumas algumas reflexões abaixo:

"Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes." Marcos 12:30,31. 

O que a declaração acima fala para a nossa vida prática? Como estamos amando a Deus em nossas ações no cotidiano? E amar ao próximo? Será se em nossa agenda nos importarmos com a pavorosa condição de homens, mulheres e crianças que estão morrendo, espiritual e fisicamente, necessitado de ajuda de cristãos? Será se nos importamos com milhares de pessoas que estão envolvidas em álcool e drogas, que morrem aos milhares todos os dias? O que estamos fazendo a respeito? Lendo, lendo e lendo a Bíblia, livros cristãos, tornando-se ovelhas gordas e mais gordas de teologia e sem nenhuma atitude prática? Isso é amar o próximo?

Conhecemos pessoas diariamente em dificuldades, sem emprego, sem trabalho, sem comida, com problemas de toda ordem, apelando muitas vezes para o suicídio quando veem que não estão conseguindo atingir seus objetivos. O que fazemos? Como Cristãos, podemos afirmar que não temos nada a ver com isso? Cada um deve cuidar de si? Não, não creio e nem aceito que deve ser assim. Não foi isso que Jesus ensinou. O que Jesus faria? Será se ele diria "Estou orando por você" e seguiria seu caminho tranquilo e confortavelmente?

Atualmente temos um número enorme de Igrejas e de Cristãos nominais. Mas é preciso uma reflexão profunda do que é ser Cristão. Penso que de uma forma não intencional muitas Igrejas estão fomentando um Cristianismo morno, um Cristianismo com muita ortodoxia e pouca ortopraxia, ou seja, muita teoria e pouca prática. Uma forma de discipulado centrado no crescimento pessoal e individual, formando ovelhas gordas, cheias de conhecimento, verdadeiros doutores da lei. Mas com pouco resultado prático. Quantos novos Cristãos foram discipulados por estas ovelhas? Poucos ou nenhum. Tem algo de errado! A ordem foi formai discípulos. Este modelo está produzindo um discipulado que o próprio Jesus Cristo não reconheceria como genuíno.

Se nossa definição de cristianismo se reduz a desfrutar os privilégios da adoração na Igreja, sermos generosos com os dízimos e ofertas, vivermos no conforto de nossos lares e buscar mais e mais conhecimento, então estaremos longe de seguirmos os passos de Jesus.

Viver o Cristianismo é simples, mas não é fácil. Temos que ter cuidado para não vivermos anos e anos numa vida Cristã fácil e nominal, sentados no banco de uma igreja, com a Bíblia debaixo do braço (ou no celular), elevando nossas vozes em cânticos de adoração e nos reduzindo a nós mesmos. Não acredito que é isso que Cristo quer para seus filhos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Quando apagamos o Espírito Santo?


Continuando temas relacionados ao Espírito Santo, compartilho o devocional extraído do livro do William MacDonald, chamado "Luz para o caminho - Meditações Diárias". Ele teve como propósito em sua vida destacar com clareza e objetividade os ensinamentos bíblicos para a prática cristã. Tem mais de 80 livros publicados. No Brasil uma de suas obras é "O Discipulado Verdadeiro", considerado um clássico cristão.

William MacDonald

Geralmente pensamos em apagar como algo relacionado a um incêndio. Apagamos o fogo quando jogamos água nele. Ao fazê-lo, ou extinguimos completamente ou reduzimos muito sua extensão e eficácia.

Fogo é usado nas Escrituras como um paralelo para o Espírito Santo. Ele é intenso, abrasador, entusiástico. Quando as pessoas estão sob o controle do Espírito Santo, elas brilham, ardem, transbordam. Apagamos o Espírito quando suprimimos a Sua manifestação nos encontros do povo de Deus.

Paulo diz "Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias". A forma como ele liga o apagar do Espírito como o desprezo das profecias nos leva a crer que esse apagar tem a ver primariamente com as reuniões na igreja local.

Apagamos o Espírito quando fazemos alguém ter vergonha de seu testemunho para Cristo, seja em oração, em adoração ou no ministério da Palavra. Crítica construtiva é uma coisa, mas quando cesuramos alguém por suas palavras ou por detalhes minuciosos. somos capazes de desencorajá-lo ou derrubá-lo em seu ministério público.

Também apagamos o Espírito quando temos cultos tão excessivamente organizados que O prendemos em uma camisa de força. Se os programas forem planejados em oração e dependência do Espírito Santo, não há quem se oponha. Mas programas planejados com base na sabedoria humana têm o efeito de tornar o Espírito Santo um espectador ao invés de Líder.

Deus deu muitos dons à Igreja. Ele usa dons diferentes em momentos diferentes. Talvez um irmão tenha uma palavra de exortação à comunidade. Se todo o ministério público estiver centralizado em outro homem, então o Espírito não tem liberdade para trazer a mensagem necessária na hora certa. Esta é outra forma de apagar o Espírito.

Por fim, apagamos o Espírito quando rejeitamos suas sugestões quanto às nossas próprias vidas. Talvez sejamos levados a ministrar poderosamente sobre certo assunto, mas nos seguramos por temor de homens. Nos sentimos impelidos a liderar um grupo em oração, mas permanecemos sentados por timidez. Pensamos em um hino que seria particularmente relevante naquele momento, mas não temos coragem de sugeri-lo. 

O resultado é que o fogo do Espírito é apagado, nossos encontros perdem sua espontaneidade e o corpo local é empobrecido.

"Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias" (1 Tessalonicenses 5.19-20)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Espírito de conhecimento



Espírito de conhecimento
C.H. Spurgeon

Ele é o Espírito de conhecimento. "Ele vos guiará a toda a verdade." Nisto, precisamos do Seu ensino. Temos urgente necessidade de estudar, pois o mestre de outros precisa instruir-se. Subir ao púlpito normalmente despreparado é presunção imperdoável. Nada poderá rebaixar-nos mais efetivamente, e ao nosso oficio. 

Depois de um discurso que o bispo de Lichfield fez em visita oficial, discurso sobre a necessidade de zeloso estudo da Palavra, certo clérigo disse à sua reverendíssima que não podia crer em sua doutrina, "pois", disse ele, "muitas vezes, quando estou no gabinete pastoral, pronto para pregar, não sei sobre o que vou falar, mas vou para o púlpito, prego, e não penso em nada disso." O bispo respondeu : "E você está certo em não pensar nada disso, pois os oficiais da igreja me disseram que partilham da sua opinião."Se não somos instruídos, como podemos instruir outros? Se não nos dedicamos a pensar, como podemos levar outros a pensar? É em nosso labor de estudar, nesse bendito trabalho em que estamos a sós com o Livro diante de nós, que precisamos da ajuda do Espírito Santo. Com Ele está a chave do tesouro celeste, e pode enriquecer-nos além da nossa imaginação. Com Ele está o guia da doutrina mais labiríntica, e pode conduzir-nos no caminho da verdade. Pode romper os portais de bronze e picar em pedaços as barras de ferro, e dar-nos os tesouros das trevas e as riquezas ocultas dos lugares secretos. 

"Se não somos instruídos, como podemos instruir outros? Se não nos dedicamos a pensar, como podemos levar outros a pensar?"

Se vocês estudarem os originais, consultarem comentários e meditarem profundamente, mas deixarem declamar vigorosamente ao Espírito de Deus, o seu estudo não lhes trará proveito. Entretanto, ainda que lhes seja vedado o emprego daqueles recursos (o que confio não lhes suceda), se esperarem do Espírito Santo em simples dependência do Seu ensino, aprenderão muito da intenção divina.

O Espírito de Deus nos é peculiarmente precioso, porque de modo muito especial Ele nos instrui sobre a pessoa e a obra de nosso Senhor Jesus Cristo; e este é o ponto principal da nossa pregação. Ele toma coisas de Cristo e no-las mostra. Se tomasse coisas de doutrina ou preceito, ficaríamos contentes por essa bondosa assistência. Mas, visto que se deleita especialmente nas coisas de Cristo, e focaliza a Sua sagrada luz na cruz, regozijamo-nos ao ver o centro do nosso testemunho iluminado tão divinamente, e nos asseguramos de que a luz se difundirás obre todo o restante do nosso ministério. Busquemos ao Espírito de Deus com este brado: "Ó Espírito Santo, revela-nos o Filho de Deus, e assim mostra-nos o Pai."Como Espírito de conhecimento, não só nos instrui quanto ao evangelho, mas também nos leva a ver o Senhor em todas as outras coisas. 

Não devemos fechar os nossos olhos para Deus na natureza, ou na história geral, ou nas ocorrências providenciais diárias, ou em nossa experiência pessoal. E em todas estas coisas, o nosso Intérprete da mente de Deus é o bendito Espírito. Se clamamos: "Ensina-me o que queres que faça"; ou, "mostra-me o motivo pelo qual contendes comigo"; ou, "dize-me qual é a Tua intenção nesta rica previdência de misericórdia"; ou,"revela-me o Teu propósito naquela outra dispensarão mista de juízo e graça" – seremos bem instruídos em cada caso. 

Pois o Espírito é o candeeiro de sete braços do santuário, e pela Sua luz todas as coisas podem ser vistas corretamente. Como Goodwin observa bem : "É preciso haver luz acompanhando a verdade, se temos de conhecê-la. Prova-nos isto a experiência de todos os homens envoltos na graça de Deus. Qual a razão por que vocês vêem algumas coisas num capítulo numa ocasião, e não em outra; alguma porção da graça em seus corações numa ocasião, e não em outra; têm um vislumbre das realidades espirituais numa ocasião, e não em outra? Os olhos são os mesmos, mas é o Espírito Santo que abre e fecha esta lanterna de furta-fogo, como eu poderia chamar-lhe. Conforme Ele abre mais, ou a aperta, ou a fecha, estreitando-a, temos maior ou menor visão. E às vezes Ele a fecha totalmente, e então a alma fica na escuridão, embora seus olhos nunca tenham estado tão bons." Amados irmãos, Não deixem de ir a Ele em busca desta luz, ou ficarão nas trevas e serão guias cegos de cegos.

Este é o oitavo e último post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre Espírito de Sabedoria.

Muito obrigado a todos que acompanharam as 8 publicações da série!

Caso não tenham lido, segue abaixo o link com as sete anteriores:


sábado, 4 de junho de 2016

Espírito de Sabedoria



Espírito de Sabedoria
C.H. Spurgeon

O Espírito é chamado de Espírito de sabedoria e precisamos enormemente dEle nesta capacidade. Sim, pois o conhecimento pode ser perigoso, se não for acompanhado pela sabedoria, que é a arte de usar acertadamente o que conhecemos. Manejar bem a Palavra de Deus é tão importante como compreendê-la plenamente. Alguns que evidentemente compreenderam uma parte do evangelho, deram indevida proeminência a essa porção isolada e, portanto, exibiram um cristianismo deformado, para prejuízo daqueles que o receberam, visto que, em conseqüência disso, exibiram por sua vez um caráter deformado. 

"A sabedoria é a arte de usar acertadamente o que conhecemos."

O nariz é um trapo proeminente do rosto do homem. É possível, porém, fazê-lo tão grande que os olhos, a boca e tudo mais sejam lançados à insignificância. Um desenho assim é caricatura, não retrato. Do mesmo modo, certas doutrinas importantes do evangelho podem ser proclamadas com tal excesso que se lança o restante da verdade à sombra, e a pregação já não é o evangelho em sua beleza natural, mas uma caricatura do evangelho. Contudo, deixem-me dizê-lo, algumas pessoas parecem fortemente apegadas a essa caricatura.O Espírito de Deus lhes ensinará o emprego da faca sacrificial para dividir as ofertas. E lhes mostrará como usar as balanças do santuário, para pesarem e misturarem as preciosas especiarias em quantidades certas. Todo pregador experimentado sente que esse é o momento supremo, e bom será que seja capaz de resistir à tentação de negligenciá-lo.

Que lástima, alguns dos nossos ouvintes não desejam ouvir todo o conselho de Deus! Têm as suas doutrinas favoritas e gostariam de fazer-nos calar em tudo mais. Muitos são como a escocesa que, depois de ouvir um sermão, disse: "Estaria muito bem, se não fosse aquela droga de deveres no fim." Há irmãos dessa espécie. Desfrutam da parte consoladora – as promessas e as doutrinas – mas só de leve se deve tocar na santidade prática. A fidelidade requer que entreguemos o evangelho sob todos os ângulos, sem omitir nada e sem exagerar em nada. Para isto requer-se muita sabedoria. 

Com seriedade indago se algum de nós tem o tanto desta sabedoria que necessitamos. Provavelmente somos afligidos por algumas parcialidades inescusáveis e inclinações injustificáveis.Ponhamo-las para fora e acabemos com elas. Talvez tenhamos consciência de que passamos por alto certos textos, não porque não o compreendemos (o que poderia justificar-se), mas porque os compreendemos e raramente gostamos de dizer o que eles nos ensinaram, ou porque talvez haja alguma imperfeição em nós, ou algum preconceito entre os nossos ouvintes que aqueles textos revelariam de modo demasiado claro para que nos sentíssemos bem. 

Esse silêncio pecaminoso tem que ser eliminado imediatamente. Para sermos sábios mordomos e repartirmos as porções certas de alimento para os membros da casa do divino Senhor, precisamos do Teu ensino, ó Espírito de Deus! Tampouco isso é tudo, pois mesmo que saibamos manejar bem a Palavra de Deus, carecemos de sabedoria para a seleção da porção particular da verdade que é mais aplicável à ocasião e às pessoas reunidas. Como também de igual descrição no tom e na maneira de apresentar a doutrina. Creio de muitos irmãos que pregam sobre a responsabilidade humana, lançam-se de modo tão legalista que causam desgosto a todos os que amam as doutrinas da graça. Por outro lado, receio que muitos pregam a soberania de Deus de modo tal que afastam inteiramente da ala calvinista todas as pessoas que crêem na livre ação do homem. 

"Creio de muitos irmãos que pregam sobre a responsabilidade humana, lançam-se de modo tão legalista que causam desgosto a todos os que amam as doutrinas da graça. Por outro lado, receio que muitos pregam a soberania de Deus de modo tal que afastam inteiramente da ala calvinista todas as pessoas que crêem na livre ação do homem."

Não devemos ocultar a verdade por um momento sequer, mas devemos ter sabedoria para pregá-la sem que haja choque ou ofensa, e, sim, um esclarecimento gradativo daqueles que não conseguem vê-la de todo, e um processo pelo qual se conduzam os irmãos mais fracos ao pleno círculo da doutrina do evangelho. Irmãos, precisamos de sabedoria também no modo de colocar as coisas para diferentes pessoas. Pode-se demolir um ser humano com a mesma verdade destinada a edificá-lo. Pode-se causar enjôo a alguém com o mel com que se pretendia adoçar-lhe a boca. Tem-se pregado a grande misericórdia de Deus sem cuidado, o que tem levado centenas a licenciosidade. Por outro lado, tem-se ocasionalmente apregoado a terribilidade do Senhor com violência tão fulminante que tem levado muitos ao desespero, e daí a um decidido desafio ao Altíssimo. A sabedoria é proveitosa para dirigir, e aquele que a tem expõe a verdade na ocasião certa e trajada com as suas vestes mais apropriadas. Quem pode dar-nos esta sabedoria, se não o bendito Espírito de Deus? Irmãos,vejam que, com a mais humilde reverência, esperem a Sua direção.

"Pode-se demolir um ser humano com a mesma verdade destinada a edificá-lo. Pode-se causar enjôo a alguém com o mel com que se pretendia adoçar-lhe a boca. Tem-se pregado a grande misericórdia de Deus sem cuidado, o que tem levado centenas a licenciosidade. Por outro lado, tem-se ocasionalmente apregoado a terribilidade do Senhor com violência tão fulminante que tem levado muitos ao desespero, e daí a um decidido desafio ao Altíssimo."

 Este é o sétimo post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre O Espírito que é brasa viva.

terça-feira, 24 de maio de 2016

O Espírito que é brasa viva


O Espírito que é brasa viva
C.H. Spurgeon

Precisamos do Espírito de outra maneira, a saber, como a brasa viva tirada do altar, tocando os nossos lábios. Assim, quando temos conhecimento e sabedoria para escolher a porção certa da verdade, podemos desfrutar liberdade de expressão quando vamos entregá-la. "Eis que ela tocou os teus lábios." 

Quão gloriosamente fala o homem quando os seus lábios estão empolados pela brasa viva do altar – sentindo o poder de fogo da verdade, não apenas no recôndito da alma, mas nos próprios lábios com os quais está falando! Reparem nessas ocasiões como estremece a sua fala. Não notaram agora mesmo, na reunião de oração, em dois dos irmãos que elevaram súplicas, como era trêmulo o tom da sua voz, e como tremiam as estruturas dos seus corpos? 

Porque não somente os seus corações foram tocados, como espero tenham sido todos os nossos corações, mas os seus lábios foram tocados, e esse toque influiu em seu falar, irmãos, precisamos do Espírito de Deus para abrir as nossas bocas, para podermos proclamar os louvores do Senhor, ou então não falaremos com poder. 

Necessitamos da influência divina para impedir que digamos muitas coisas que, caso saíssem de fato das nossas 1inguas, estragariam a nossa mensagem. Aqueles dentre nós que têm o perigoso talento para o humorismo, às vezes precisam parar, pegar a palavra ao sair da boca, olhar bem para ela, e ver se presta bem para a edificação. E aqueles cujo viver anterior os conduziu entre os grosseiros e rudes, precisam vigiar com olhos de lince a falta de delicadeza. 

Longe de nós, irmãos, dizer uma sílaba que sugira um pensamento impuro ou que desperte uma lembrança duvidosa. Precisamos do Espírito de Deus para pôr freio e cabresto em nós para impedir que falemos coisas que levem a mente dos ouvintes para longe de Cristo e das realidades eternas, fazendo-os pensar em coisas vis da terra. 

Irmãos, também precisamos do Espírito Santo para nos impulsionar em nossa tarefa de comunicar a Palavra. Não duvido que vocês estejam todos conscientes dos diferentes estados mentais que ocorrem na pregação. Alguns desses estados decorrem das diferentes condições físicas. Um resfriado não só tira a clareza da voz, mas também congela o fluxo dos pensamentos. Da minha parte, se eu não posso falar com clareza, também fico incapaz de pensar com clareza, e o conteúdo a transmitir fica rouco também, como a voz. Igualmente o estômago e todos os órgãos do corpo afetam a mente. 

Mas não me refiro a essas coisas. Terão vocês consciência das alterações completamente independentes do corpo? Quando estão robustos, não se sentem um dia pesados como os carros de Faraó com as rodas retiradas, e noutra ocasião com tanta liberdade como "uma corça deixada solta"? Hoje o ramo brilha com o orvalho, ontem foi crestado pela seca. Quem não sabe que o Espírito de Deus está nisso tudo? Às vezes o Espírito divino age em nós de molde a livrar-nos completamente de nós mesmos. Em tais ocasiões, do começo ao fim do sermão podíamos dizer: "Se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe". Tudo foi esquecido, menos certo absorvente assunto em mãos. 

Se me fosse proibido entrar no Céu, mas me fosse dado escolher a condição em que passarei a eternidade, escolheria aquela em que às vezes me sinto quando prego o evangelho. Nesse estado prefigura-se o Céu: 

  • A mente cerrada para todas as influências perturbadoras, adorando o majestoso Deus, com plena consciência de Sua presença, todas as faculdades elevadas e jubilosamente cheias de vigor no máximo de sua capacidade, todos os pensamentos e poderes da alma alegremente ocupados em contemplar a glória do Senhor e exaltando com as multidões atentas o Bem-amado da nossa alma; 
  • E durante todo esse intervalo, a mais pura benevolência concebível para com as demais criaturas a incentivar o coração a pleitear com elas em prol do nome de Deus – que estado mental pode rivalizar-se com este? 

Pena é que alcançamos este ideal, porém, sem o podermos manter sempre, pois também sabemos o que é pregar em cadeias ou dar murros no ar. Não podemos atribuir santas e felizes mudanças ocorridas em nosso ministério a nada menos que a ação do Espírito Santo em nossas almas. Estou certo de que o Espírito Santo realiza esta obra. Vezes sem conta, quando me assaltam dúvidas sugeridas pelo infiel, posso arremessá-las aos ares com total desdém, porque tenho definida consciência de um poder que opera em mim quando falo em nome do Senhor, poder que transcende infinitamente a qualquer capacidade ou eloquência pessoal, e que sobrepuja em muito qualquer energia derivada do entusiasmo que sinto quando faço uma preleção secular ou um discurso. 

Aquele poder é tão diferente deste, que tenho toda a certeza de que não é da mesma ordem ou classe do entusiasmo dos políticos ou do ardor da oratória pura e simples. Oxalá experimentemos com muita freqüência a energia divina e falemos com poder.

Este é o sexto post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre Espírito que Age.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O Espírito que Age


O Espírito que Age
C.H. Spurgeon

O Espírito de Deus age também como óleo que unge e isto se relaciona com todo o trabalho da pregação – não simplesmente com a alocução oral, mas com toda a transmissão do discurso. Ele pode fazê-los sensíveis ao assunto, até ao ponto de ficarem dominados por ele, quer achatados na terra, quer elevados às alturas como em asas de águias. Acresce que, além do assunto, Ele os faz sensíveis ao seu objeto, até anelarem pela conversão dos homens e pelo despertamento dos cristãos, para que se elevem a algo mais nobre do que tudo que já conhecem. 

Ao mesmo tempo, outro sentimento estará com vocês, a saber, um intenso desejo de que Deus seja glorificado mediante a verdade que estão proclamando. Vocês ficam conscientes de um profundo e compassivo interesse pelas pessoas a que estão falando, lamentando que alguns saibam pouco, e que outros saibam muito e, contudo, o recusam. Vocês fitam alguns semblantes e, em silêncio, o seu coração lhes diz: "Ali caí orvalho", e, voltando-se para outros, com tristeza percebem que são como as partes áridas da montanha de Gilboa.

Tudo isto se dá durante o sermão. Não podemos contar quantos pensamentos passam pela mente de uma vez. Uma vez contei oito grupos de pensamentos que ocupavam o meu cérebro simultaneamente, ou ao menos dentro do espaço do mesmo segundo. Estava pregando o evangelho com todas as minhas forças, mas não pude deixar de sensibilizar-me por uma senhora que estava evidentemente prestes a desmaiar, e também fiquei procurando o irmão encarregado das janelas, para que nos desse mais ar. Estava pensando na ilustração que omitira na primeira divisão, procurando dar forma à segunda divisão, perguntando-me se este sentira o peso da minha reputação, se aquele se fortalecera com a observação consoladora, e ao mesmo tempo estava louvando a Deus por desfrutar eu pessoalmente da verdade que estava proclamando. 

Alguns intérpretes consideram os querubins de quatro rostos como emblemas dos ministros. Eu certamente não vejo dificuldade na forma quádrupla, pois o Espírito Santo pode multiplicar os nossos estados mentais, e fazer de nós homens muito superiores além do que somos por natureza. O quanto pode Ele fazer de nós, e quão grandiosamente pode elevar-nos, não ouso conjeturar. Certamente Ele pode fazer muitíssimo acima do que pedimos ou pensamos. Especialmente faz parte da obra do Espírito Santo manter em nós uma disposição devocional enquanto estamos entregando a mensagem.

Esta é uma condição que se deve ambicionar grandemente – continuar a orar enquanto estamos ocupados com a prédica; cumprir os mandamentos do Senhor, dando ouvidos à voz da Sua Palavra; manter os olhos postos no trono, e as asas em constante movimento. Espero que saibamos o que isto significa. Estou certo de que sabemos o seu oposto, ou de que logo o experimentaremos, isto é, o mal de pregar sem espírito de devoção. Que pode ser pior do que falar sob a influência de um espírito arrogante ou irritado? Que é mais debilitante do que pregar num espírito incrédulo? 

Por outro lado, que bênção arder fervorosamente enquanto brilhamos diante dos olhos de outros! Esta é a obra do Espírito de Deus. Adorável Consolador, opera em nós! Em nossos púlpitos precisamos unir o espírito de dependência como de devoção, de modo que, durante a pregação toda, desde a primeira palavra até a última sílaba, olhemos ao alto para o Forte em busca de força. É bom lembrar que, embora tivessem chegado até o presente ponto, se o Espírito Santo os deixasse, fariam papel de tolos antes de acabar o sermão. Elevando os olhos para os montes de onde vem o socorro durante o sermão inteiro, com absoluta dependência de Deus, vocês pregarão com espírito de bravia confiança o tempo todo. 

Talvez eu esteja errado ao dizer "bravia", pois não é coisa bravia confiar em Deus; para os verdadeiros crentes é simples questão de doce necessidade – como podem deixar de confiar nEle? Por que haveriam de duvidar do seu Amigo sempre fiel? Outro dia de manhã, pregando à minha igreja sobre o texto, "A minha graça te basta", disse aos irmãos que pela primeira vez em minha vida tinha experimentado o que Abraão sentiu quando se inclinou sobre o seu rosto e riu. Voltava para casa depois de uma semana de trabalho intenso, quando vejo à minha mente o texto: "A minha graça te basta."  Veio, porém, com a ênfase posta em duas palavras: "A Minha graça te  basta." Minha alma disse: "Sem dúvida é assim. Seguramente, a graça do Deus infinito é mais que suficiente para um simples inseto como eu." E ri, e tornei a rir, ao pensar em quanto o suprimento excedia a todas as minhas necessidades. Parecia que eu era um pequeno peixe no mar, e na minha sede dizia: "Viva, vou beber o oceano inteiro." Então o Pai das águas ergueu sublime a cabeça e disse a sorrir: "Pequenino peixe, a ilimitada vastidão marinha te basta." 

Este pensamento fez com que a descrença parecesse supinamente ridícula, como de fato é. Irmãos, devemos pregar cientes de que Deus pretende abençoar a Palavra proclamada, pois temos Sua promessa neste sentido. E ao termos pregado, devemos procurar as pessoas atingidas pela bênção. Dirão vocês: "Fico dominado pelo espanto ao ver que Deus converte almas por meio do meu pobre ministério"? Falsa humildade! O seu ministério é pobre de verdade. Toda gente sabe disso, e vocês devem sabê-lo mais que ninguém. Mas, ao mesmo tempo, é coisa para espantar que, o Deus que disse: "A minha palavra não voltará para mim vazia", cumpra o que prometeu? A refeição irá perder o seu valor nutritivo porque o prato é barato? A graça divina haverá de ser sobrepujada por nossa fraqueza? Não. Mas temos este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não nossa. Precisamos ainda do Espírito Santo durante o sermão todo para manter os nossos corações e mentes em condição apropriada. Sim, porque, se não tivermos o espírito certo perderemos a entonação que persuade e prevalece, e o povo descobrirá que a força de Sansão o deixou. 

Uns pregam como quem está ralhando, e assim põem à mostra o seu mau gênio. Outros se pregam a si próprios, e assim revelam o seu orgulho. Alguns discursam como se estivessem condescendendo em ocupar o púlpito, enquanto outros pregam como se estivessem pedindo desculpa por existirem. Para evitar erros nas maneiras e no tom da prédica, precisamos ser guiados pelo Espírito Santo, posto que só Ele nos ensina com proveito.

Este é o quinto post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre Espírito de cooperação.


domingo, 22 de maio de 2016

Qual a importância do departamento de casais?



Antes de iniciar uma reflexão sobre este tema, talvez seja importante pensarmos em algumas perguntas: Qual é o propósito do casamento? Qual o propósito do departamento de casais?

Dentre os serviços que eu e minha esposa tivemos o privilégio de servir nas igrejas que fomos e somos membros, destaco o departamento de casais. Temos pouco mais de 15 anos de casamento e somos um casal relativamente jovem, em idade e em tempo de matrimônio. Mesmo com todas as limitações, falhas e pecados, procuramos na dependência do Espírito Santo nos aprofundarmos na Palavra de Deus para sermos eficazes e entendermos com clareza o propósito da nossa união. 

De maneira geral a resposta às duas perguntas tem elementos gerais comuns. O primeiro, certamente terá como propósito maior a união em uma só carne para a Glória de Deus. O segundo, a semelhança do primeiro, ajudar casais que almejam aperfeiçoar os seus relacionamentos para a Glória de Deus. 

Um dos primeiros encontros de casais que eu e minha esposa participamos ficou marcado em meu coração a seguinte frase exposta pelo palestrante: "Famílias fortes, igrejas fortes!"

"Famílias fortes, igrejas fortes!"

Uma família começa a sua jornada no casamento. Bem, aqui eu entro especificamente na pergunta que deu origem ao tema da postagem. 

Jornada! Esta é a palavra que nos ajudará a refletir e entender melhor a importância de um departamento de casais em uma igreja.

Quando pensamos em um departamento de casais, talvez venha na mente de alguns um departamento que faça um evento uma vez por ano, quem sabe um retiro de final de semana, a fim de cumprir um calendário tradicionalmente criado pela igreja. Não vou me referir a este tipo de departamento. Pois, entendo que se o propósito for esse, será uma obra meramente humana (destaco que sou a favor de retiros, desde que a finalidade seja o crescimento espiritual).

Uma vez que reconhecemos que temos uma jornada matrimonial, devemos admitir que temos lutas todos os dias em várias áreas: nos sentimentos, na sexualidade, na espiritualidade, na relação com os filhos, nas decisões em diversas áreas que precisamos tomar, na relação com os pais dos cônjuges, no uso do dinheiro, etc. Enfim, são tantos os desafios ao longo da jornada, que vejo um departamento de casais tendo pelo menos uma reunião por mês para trazer e compartilhar diversos temas à luz dos princípios bíblicos e ajudar aos casais a perseverarem em seus casamentos.

Claro que o departamento de casais não se faz apenas pela instituição do departamento pela igreja. Afinal, a existência do mesmo só faz sentido se existirem casais. A participação ativa de cada casal é importante, uma vez que diferentemente do que possamos pensar em algumas ocasiões, é a participação e a interação de todos que faz a diferença. A edificação é individual, mas também coletiva. 

Lembro-me de que, certa vez, num desses encontros mensais, que normalmente terminam com um jantar, tivemos a oportunidade de sentar com um casal que até então não tínhamos tido a oportunidade de conversamos. Eles compartilharam conosco uma situação relacionada a filhos que estavam passando e ficaram surpresos quando nós dissemos que também passávamos pelo mesmo. Desta forma, foi possível compartilhar as experiências e orarmos juntos, buscado a direção do Espírito Santo. Saímos muito mais fortalecidos deste encontro!

Quero destacar também um critério equivocado que eventualmente podemos usar para decidir se vamos ou não aos encontros: o assunto. "Esse assunto eu já conheço", "Essa pregação eu já ouvi". Todavia, uma das coisas que eu e minha esposa aprendemos a cada dia é que o nosso coração realmente é enganoso. Os encontros de casais que mais fomos confrontados e edificados, foram aqueles em que o assunto nos parecia mais trivial e que achávamos que sabíamos o suficiente. Porém, foram os que mais precisávamos ouvir.

Assim, chego a conclusão que todos nós precisamos de ajuda para aperfeiçoar os nossos relacionamentos conjugais. Eu digo TODOS nós! Pois, não há oportunidade se não tivemos a consciência da necessidade. É preciso que haja de nossa parte o reconhecimento da importância dos nossos casamentos para as nossas famílias, para a igreja e para a sociedade. Talvez, se meditarmos nessa premissa possamos encontrar facilmente a resposta da importância de ir aos encontros de casais.

"Os encontros de casais que mais fomos confrontados e edificados, foram aqueles em que o assunto nos parecia mais trivial e que achávamos que sabíamos o suficiente. Porém, foram os que mais precisávamos ouvir."

Poderia compartilhar diversas situações em que eu e minha esposa fomos edificados. Mas, quero apenas ressaltar o que considero um oportuno constrangimento. É que a cada vez que vamos a um encontro, descobrimos o quanto precisamos mudar. As vezes situações corriqueiras que passam desapercebidas, mas que ao longo de uma jornada (olha a jornada de novo!), fazem a diferença para a felicidade do casal e para suportar as adversidades da vida. 

Eu vou confessar uma coisa, EU tenho muito o que aprender e melhorar no meu casamento. Tenho problemas de comunicação, nem sempre compartilho as cargas com a esposa (na desculpa de poupá-la), tenho que melhorar na administração do tempo, dinheiro, filhos e tantos outros desafios. Mas, reconheço que Deus tem sido misericordioso, pois apesar de todas as minhas limitações, ele tem me ensinado de várias formas na minha jornada. E uma delas tem sido os encontros de casais. 

Em resumo, sou muito, mais muito grato a Deus por ter usado ao longo da nossa jornada de casamento encontros de casais que foram tão importantes para o nosso crescimento e aprendizado.

Para refletir, o que temos feito para oxigenar espiritualmente o nosso casamento? Será se o departamento de casais pode nos ajudar? Eu penso que sim. E você?


sábado, 21 de maio de 2016

Você sabe realmente o que é fome?


"Cadê o meu iogurte favorito?", disse o marido ao chegar em casa. E acrescentou: "Hoje vou dormir com fome, pois só tem de morango e eu só gosto de chocolate."

"Não vou tomar café!", disse o filho logo de manhã. E explicou: "Café da manhã sem frutas, só com pão e leite, não alimenta. Vou passar a manhã com fome!" E saiu com raiva e indignação.

"Eu não comi nada naquele encontro. Onde se viu oferecer comida em pratos de plástico? Eu prefiro passar fome", disse uma senhora se referindo a um aniversário em que foi convidada.

É incrível como usamos a palavra fome de forma banal. Porém, o mais incrível é que utilizamos para justificar comportamentos e atitudes que geram conflitos e, principalmente, ingratidão.

Total de pessoas no mundo em 21-05-2016
Segundo a Deutsche Welle (DW), empresa de comunicação internacional da Alemanha, atualmente o planeta tem mais de 7 bilhões de pessoas e a cada 3 segundos uma pessoa morre de fome. Pois é, fome, a verdadeira fome é uma sensação fisiológica que o organismo sente para manter suas atividades vitais. Não é um capricho, um desejo, uma vontade não atendida de uma determinada comida, mas que pode ser substituída por outra existente.

"Atualmente o planeta tem mais de 7 bilhões de pessoas e a cada 3 segundos uma pessoa morre de fome."

Tenho uma lembrança de uma palestra que assisti quando tinha mais ou menos 15 anos. O palestrante era um judeu de 80 anos sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. Ele começou fazendo a seguinte pergunta: "Levante a mão quem já passou fome?" Foram poucos os que levantaram. Num gesto sereno e tranquilo ele disse: "Muito provavelmente os que levantaram a mão não sabem o que realmente é passar fome. Talvez o máximo que vocês passaram foi a vontade de comer um "mcdonald's big mac" e seus pais não tinham dinheiro para comprar. Aí vocês fizeram "biquinho" e não quiseram comer um pão com presunto e queijo, que era o que tinha em casa."

E continuou: "Passar fome é quando você tem vontade de comer e não tem alternativas de alimentos. Não tem nada mesmo!" Ele relatou que em Auschwitz eles ficavam em celas, onde uma vez por semana era jogado 1 (um) pão para dividir para mais de 10 pessoas. Isso era passar fome, pois eles tinham vontade de comer, mas não tinham alternativa, não tinham opções.

Um sobrevivente magro após a libertação em 1945. Estima-se que 
1,1 milhões de pessoas morreram em Auschwitz durante os seus quase cinco anos de operação.
Foi uma palestra que me marcou muito na adolescência. Desde então, tenho sido muito grato a Deus por cada alimento que ele me proporciona a cada dia. Não importa se é o meu preferido ou não. Não importa se é muito ou pouco, simplesmente agradeço de todo o meu coração. Que Deus tenha misericórdia e não permita que eu me desvie desse pensamento todos os dias da minha vida.

"Passar fome é quando você tem vontade de comer e não tem alternativas de alimentos. Não tem nada mesmo!"

Para concluir, gostaria de compartilhar o meu pensamento sobre a solução. Penso que seria possível termos um mundo sem fome. Mas para isso, o ser humano teria que abrir mão das suas "necessidades" e caprichos. Entendo que o planeta produz alimento suficiente para todos, porém a natureza egoísta e vaidosa do homem é política e socialmente tolerada por todos. Assim, muitas famílias tem muito mais alimento do que realmente precisam, mas são míopes de consciência e espiritualmente incapazes de perceber isso. O que falta na mesa de alguns é extraordinariamente abundante na mesa de outros. E aceitamos isso com indiferença!

Que Deus nos ajude a não sermos como o perfil da Igreja de Laodicéia, achando que somos ricos e abastados e não precisamos de coisa alguma. Porém, a luz do verdadeiro diagnóstico, aos olhos de Deus, é que somos infelizes, sim, miseráveis, pobres, cegos e nus.

"Entretanto, estais agora vos orgulhando das vossas capacidades. E toda vanglória como essa é maligna. Refleti sobre isto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado." Tiago 4.16-17

domingo, 15 de maio de 2016

Espírito de Cooperação


Espírito de Cooperação
C.H. Spurgeon

Dependemos inteiramente do Espírito de Deus para produzir efeito concreto decorrente do evangelho, o que deve sempre constituir o nosso objetivo. Não nos levantamos em nossos púlpitos a fim de desfraldar a nossa habilidade na esgrima esportiva da espada espiritual, mas, sim, para empreender luta de verdade. O objeto que temos em mira é fazer a espada do Espírito traspassar o coração dos homens. 

Se em algum sentido se pode pensar na pregação como uma exibição pública, há de ser como a exibição do jogo do cultivo, que consiste em cultivar realmente a terra. A competição não está na aparência dos arados, mas no trabalho feito. Dessa forma sejam julgados os ministros pelo modo como manejam o arado do evangelho, e como sulcam o solo da lavoura, de ponta a ponta. Sempre visem ao efeito. "Ora", dirá alguém, "entendi que você tenha dito: "Nunca faça isso." Digo também que nunca visem ao efeito, no sentido infeliz dessa expressão. Nunca visem ao efeito segundo o modo dos artífices de clímax, dos declamadores de poesia, dos manipuladores de lenços, e dos sopradores de palavrório bombástico.

Para o homem que degrada o púlpito reduzindo-o a um palco de teatro para exibir-se, muito melhor que não tivesse nascido. Visem à correta espécie de efeito: inspirar os crentes para coisas mais nobres; levá-los para mais perto do seu Senhor; fortalecer os que vacilam até que se livrem dos seus temores; levar os pecadores ao arrependimento e ao exercício da fé incondicional em Cristo. Sem que se sigam estes sinais, para que servem os nossos sermões? Seria uma lástima dizer com certo arcebispo: "Passei por muitas posições de honra e de confiança, tanto na igreja como no estado, mais do que qualquer colega da minha ordem na Inglaterra, durante os últimos setenta anos. Mas se tivesse a certeza de que, por minha pregação, ao menos uma alma tivesse sido convertida a Deus, teria nisso maior consolo do que em todos os honrosos ofícios que me deram.

"Para o homem que degrada o púlpito reduzindo-o a um palco de teatro para exibir-se, muito melhor que não tivesse nascido."

"Milagres da graça devem constituir os selos do nosso ministério. Quem pode dá-los, senão o Espírito de Deus? Converter uma alma sem o Espírito de Deus! Ora, vocês não podem nem fazer um inseto. Muito menos criar um novo coração e um espírito reto. Tentem conduzir os filhos de Deus a uma vida mais elevada, sem o Espírito Santo! É indizivelmente mais provável que os levem à segurança carnal, se procurarem elevá-los por seus próprios métodos, sejam estes quais forem. 

Não poderemos alcançar os nossos fins se omitirmos a cooperação do Espírito do Senhor. Portanto, com forte clamor e lágrimas, ponham nEle a sua esperança, dia a dia. A falta de reconhecimento definido do poder do Espírito Santo jaz na raiz de muitos ministérios vãos. 

As violentas palavras de Robert Hall são tão verdadeiras agora como quando as esparramou como lava derretida sobre uma geração semi-sociniana. "Por um lado, merece atenção o fato de que os mais eminentes e bem sucedidos pregadores do evangelho – um Brainerd, um Baxter, um Schwartz – foram os mais notáveis pela simples dependência em que se colocavam do auxílio espiritual. Por outro lado, nenhum sucesso acompanhou os ministérios daqueles que têm negligenciado ou negado esta doutrina. 

"Não poderemos alcançar os nossos fins se omitirmos a cooperação do Espírito do Senhor. Portanto, com forte clamor e lágrimas, ponham nEle a sua esperança, dia a dia."

Estes encontraram a maior censura à sua presunção no total fracasso dos seus esforços, em que ninguém lutara pela realidade da interferência divina,no que a eles se refere; pois, quando o braço do Senhor se revela aqueles pretensos mestres do cristianismo, quem acreditará que não haja tal braço? Foi preciso deixá-los trabalhar num campo a respeito do qual Deus ordenou que não caísse chuva nele. Como se conscientes disso, por último voltaram os seus esforços para um novo canal e, sem esperança de conversão de pecadores, limitaram-se à sedução dos fiéis. Nisto, é preciso confessar, eles têm agido de modo perfeitamente coerente com os seus princípios. Pois que, ao menos, a propagação da heresia não requer a assistência divina."

Este é o quarto post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre Espírito de súplica.