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sábado, 21 de maio de 2016

Você sabe realmente o que é fome?


"Cadê o meu iogurte favorito?", disse o marido ao chegar em casa. E acrescentou: "Hoje vou dormir com fome, pois só tem de morango e eu só gosto de chocolate."

"Não vou tomar café!", disse o filho logo de manhã. E explicou: "Café da manhã sem frutas, só com pão e leite, não alimenta. Vou passar a manhã com fome!" E saiu com raiva e indignação.

"Eu não comi nada naquele encontro. Onde se viu oferecer comida em pratos de plástico? Eu prefiro passar fome", disse uma senhora se referindo a um aniversário em que foi convidada.

É incrível como usamos a palavra fome de forma banal. Porém, o mais incrível é que utilizamos para justificar comportamentos e atitudes que geram conflitos e, principalmente, ingratidão.

Total de pessoas no mundo em 21-05-2016
Segundo a Deutsche Welle (DW), empresa de comunicação internacional da Alemanha, atualmente o planeta tem mais de 7 bilhões de pessoas e a cada 3 segundos uma pessoa morre de fome. Pois é, fome, a verdadeira fome é uma sensação fisiológica que o organismo sente para manter suas atividades vitais. Não é um capricho, um desejo, uma vontade não atendida de uma determinada comida, mas que pode ser substituída por outra existente.

"Atualmente o planeta tem mais de 7 bilhões de pessoas e a cada 3 segundos uma pessoa morre de fome."

Tenho uma lembrança de uma palestra que assisti quando tinha mais ou menos 15 anos. O palestrante era um judeu de 80 anos sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. Ele começou fazendo a seguinte pergunta: "Levante a mão quem já passou fome?" Foram poucos os que levantaram. Num gesto sereno e tranquilo ele disse: "Muito provavelmente os que levantaram a mão não sabem o que realmente é passar fome. Talvez o máximo que vocês passaram foi a vontade de comer um "mcdonald's big mac" e seus pais não tinham dinheiro para comprar. Aí vocês fizeram "biquinho" e não quiseram comer um pão com presunto e queijo, que era o que tinha em casa."

E continuou: "Passar fome é quando você tem vontade de comer e não tem alternativas de alimentos. Não tem nada mesmo!" Ele relatou que em Auschwitz eles ficavam em celas, onde uma vez por semana era jogado 1 (um) pão para dividir para mais de 10 pessoas. Isso era passar fome, pois eles tinham vontade de comer, mas não tinham alternativa, não tinham opções.

Um sobrevivente magro após a libertação em 1945. Estima-se que 
1,1 milhões de pessoas morreram em Auschwitz durante os seus quase cinco anos de operação.
Foi uma palestra que me marcou muito na adolescência. Desde então, tenho sido muito grato a Deus por cada alimento que ele me proporciona a cada dia. Não importa se é o meu preferido ou não. Não importa se é muito ou pouco, simplesmente agradeço de todo o meu coração. Que Deus tenha misericórdia e não permita que eu me desvie desse pensamento todos os dias da minha vida.

"Passar fome é quando você tem vontade de comer e não tem alternativas de alimentos. Não tem nada mesmo!"

Para concluir, gostaria de compartilhar o meu pensamento sobre a solução. Penso que seria possível termos um mundo sem fome. Mas para isso, o ser humano teria que abrir mão das suas "necessidades" e caprichos. Entendo que o planeta produz alimento suficiente para todos, porém a natureza egoísta e vaidosa do homem é política e socialmente tolerada por todos. Assim, muitas famílias tem muito mais alimento do que realmente precisam, mas são míopes de consciência e espiritualmente incapazes de perceber isso. O que falta na mesa de alguns é extraordinariamente abundante na mesa de outros. E aceitamos isso com indiferença!

Que Deus nos ajude a não sermos como o perfil da Igreja de Laodicéia, achando que somos ricos e abastados e não precisamos de coisa alguma. Porém, a luz do verdadeiro diagnóstico, aos olhos de Deus, é que somos infelizes, sim, miseráveis, pobres, cegos e nus.

"Entretanto, estais agora vos orgulhando das vossas capacidades. E toda vanglória como essa é maligna. Refleti sobre isto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado." Tiago 4.16-17

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Pensando bem ...



Há 5 anos estava com a Vitória (filha) e, enquanto eu lhe fazia um cafuné, veio à memória uma série de recordações. Uma delas foi quando eu tinha entre 8 e 12 anos, recebendo também cafuné de minha avó enquanto ela contava histórias.

Pensando bem, como eu gostava daqueles afagos, ahh... como eu gostava! Da mesma forma que minha filha chega toda manhosa me pedindo uma massagem, eu chegava para minha vó para pedir um cafuné.

Pensando bem, lembro de outro momento marcante da minha vida quando o Matheus (filho) me chamou de pai pela primeira vez. Ele tinha em torno de 2 anos. Foi emocionante! Falei para todos os colegas de trabalho, registrei em um diário e foi motivo de gratidão a Deus.

Pensando bem, nunca vou esquecer de todos os pré-natais que fui com a minha esposa. Mas teve um especial! Foi quando ouvi o coração da minha filha bater pela primeira vez. Ela tinha apenas 2 meses e ainda no ventre da mãe. A emoção e as lágrimas foram inevitáveis! Naquele momento eu soube que era possível amar alguém sem conhecer.

Pensando bem, lembro de todas as vezes que me ajoelhei com minha esposa (em prantos) clamando ao Senhor diante das provações que passamos. Como foi confortante saber, mesmo sem saber como, que o nosso Pai estava preparando a seu tempo e a sua maneira, o livramento e o consolo para todas as situações. Como diz a Palavra de Deus: "É inútil que madrugueis, que tarde repouseis, que comais o pão de dores: aos seus amados ele o dá enquanto dormem" (Salmos 127.2). E a cada provação saímos cada vez mais fortalecidos na Fé e no Amor do Senhor.

Pensando bem, eu sou o que sou, não pelo que tenho, pelas conquistas, pelos bens que adquiri, pelas vitórias ou fracassos que tive. Sou o que sou, primeiramente,  pela atuação da Graça de Deus em minha vida. Mas também, resultado de todos os momentos que valorizei (ou não) com as pessoas mais importantes da minha vida.

"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim; renovam-se cada manhã. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca." Lm (3.22-25)

E você? O que valoriza? Quem valoriza? Onde deposita sua esperança? O que tem feito com os momentos preciosos que Deus te deu? Pense bem!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Será se sabemos receber com gratidão?


Uma vez me surpreendi com um irmão que se aproximou e disse "Você se importaria de receber uma cesta básica?" Eu fiquei por um minuto sem entender o motivo da pergunta, mas com um olhar curioso perguntei o motivo, pois do ponto de vista de necessidade eu estava realmente precisando. A resposta foi a seguinte: "É que uma vez fomos ajudar uma pessoa que estava precisando e ela disse que não precisava de esmolas." Ou seja, o orgulho falou mais alto no coração daquela pessoa.

Dentro desse contexto, hoje compartilho com os leitores o devocional do livro Luz para o caminho de Willian MacDonald.

"Nunca me lavarás os pés" (João 13.8)

O Senhor acabara de cingir-se com uma toalha de linho e derramara água em uma bacia para lavar os pés dos Seus discípulos. Quando chegou a vez de Pedro, este reagiu recusando-se terminantemente: "Nunca me lavarás os pés".

Por quê? Por que Pedro não queria aceitar do Senhor esse amoroso serviço? Por um lado, ele pode ter sentido toda a sua indignidade; ele não se considerava digno de ser servido pelo Senhor. Mas existe a possibilidade da reação de Pedro ter sido motivada por orgulho e independência. Ele não queria ser um receber de assistência. Ele não queria depender da ajuda dos outros.

Essa mesma postura impede muitas pessoas de serem salvas. Elas querem merecer a salvação, mas consideram aquém de seu nível recebê-la como um dom gratuito da Graça de Deus. Não querem ficar devendo nada a Deus. Mas "aquele que é orgulhoso demais para ter um dívida eterna e infinita para com Deus jamais poderá tornar-se cristão" (James S. Stewart).

Esse verso também contém uma lição para os que já são cristãos. Todos nós conhecemos cristãos que são doadores quase compulsivos. Estão sempre fazendo alguma coisa pelos outros. Sua vida consiste unicamente em servir seus parentes e vizinhos. Sua liberalidade e disposição para ajudar merece muitos elogios. Mas todo ânimo tem um lado negativo! Eles jamis querem aceitar ajuda para si mesmos. Aprenderam a dar generosamente, mas não aprenderam a receber com gratidão. Gozam da benção e da alegria de servir ao próximo mas privam os outros dessa mesma benção.

Paulo mostrou-se um grato recebedor das ofertas dos filipenses. Ele lhes escreveu cheio de gratidão: "Não que eu precure o donativo, mas o que realmente me interessa é o fruto que aumento o vosso crédito!" (Filipense 4.17). Ele pensava mais na recompensa dos filipenses do que nas suas próprias necessidades.

"Conta-se que o bispo Westcott, no final da vida, afirmou ter cometido um grande erro. Pois enquanto ele sempre esteve disposto a ajudar os outros até os limites de sua capacidade, jamais esteve disposto a permitir que os outros fizessem alguma coisa por ele. Como consequência, em sua vida faltava um elemento de amorosidade e completude. Ele havia negligenciado o aprendizado de ser recebedor de muitos gestos de bondade que não podem ser retribuídos" (J.O. Sanders).

Um poeta desconhecido resumiu com acerto:

"Considero grande aquele que, por causa do amor,
consegue dar de coração grande e aberto;
mas quem consegue receber por causa do amor,
esse eu considero, creio eu, ainda maior."