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sábado, 4 de junho de 2016

Espírito de Sabedoria



Espírito de Sabedoria
C.H. Spurgeon

O Espírito é chamado de Espírito de sabedoria e precisamos enormemente dEle nesta capacidade. Sim, pois o conhecimento pode ser perigoso, se não for acompanhado pela sabedoria, que é a arte de usar acertadamente o que conhecemos. Manejar bem a Palavra de Deus é tão importante como compreendê-la plenamente. Alguns que evidentemente compreenderam uma parte do evangelho, deram indevida proeminência a essa porção isolada e, portanto, exibiram um cristianismo deformado, para prejuízo daqueles que o receberam, visto que, em conseqüência disso, exibiram por sua vez um caráter deformado. 

"A sabedoria é a arte de usar acertadamente o que conhecemos."

O nariz é um trapo proeminente do rosto do homem. É possível, porém, fazê-lo tão grande que os olhos, a boca e tudo mais sejam lançados à insignificância. Um desenho assim é caricatura, não retrato. Do mesmo modo, certas doutrinas importantes do evangelho podem ser proclamadas com tal excesso que se lança o restante da verdade à sombra, e a pregação já não é o evangelho em sua beleza natural, mas uma caricatura do evangelho. Contudo, deixem-me dizê-lo, algumas pessoas parecem fortemente apegadas a essa caricatura.O Espírito de Deus lhes ensinará o emprego da faca sacrificial para dividir as ofertas. E lhes mostrará como usar as balanças do santuário, para pesarem e misturarem as preciosas especiarias em quantidades certas. Todo pregador experimentado sente que esse é o momento supremo, e bom será que seja capaz de resistir à tentação de negligenciá-lo.

Que lástima, alguns dos nossos ouvintes não desejam ouvir todo o conselho de Deus! Têm as suas doutrinas favoritas e gostariam de fazer-nos calar em tudo mais. Muitos são como a escocesa que, depois de ouvir um sermão, disse: "Estaria muito bem, se não fosse aquela droga de deveres no fim." Há irmãos dessa espécie. Desfrutam da parte consoladora – as promessas e as doutrinas – mas só de leve se deve tocar na santidade prática. A fidelidade requer que entreguemos o evangelho sob todos os ângulos, sem omitir nada e sem exagerar em nada. Para isto requer-se muita sabedoria. 

Com seriedade indago se algum de nós tem o tanto desta sabedoria que necessitamos. Provavelmente somos afligidos por algumas parcialidades inescusáveis e inclinações injustificáveis.Ponhamo-las para fora e acabemos com elas. Talvez tenhamos consciência de que passamos por alto certos textos, não porque não o compreendemos (o que poderia justificar-se), mas porque os compreendemos e raramente gostamos de dizer o que eles nos ensinaram, ou porque talvez haja alguma imperfeição em nós, ou algum preconceito entre os nossos ouvintes que aqueles textos revelariam de modo demasiado claro para que nos sentíssemos bem. 

Esse silêncio pecaminoso tem que ser eliminado imediatamente. Para sermos sábios mordomos e repartirmos as porções certas de alimento para os membros da casa do divino Senhor, precisamos do Teu ensino, ó Espírito de Deus! Tampouco isso é tudo, pois mesmo que saibamos manejar bem a Palavra de Deus, carecemos de sabedoria para a seleção da porção particular da verdade que é mais aplicável à ocasião e às pessoas reunidas. Como também de igual descrição no tom e na maneira de apresentar a doutrina. Creio de muitos irmãos que pregam sobre a responsabilidade humana, lançam-se de modo tão legalista que causam desgosto a todos os que amam as doutrinas da graça. Por outro lado, receio que muitos pregam a soberania de Deus de modo tal que afastam inteiramente da ala calvinista todas as pessoas que crêem na livre ação do homem. 

"Creio de muitos irmãos que pregam sobre a responsabilidade humana, lançam-se de modo tão legalista que causam desgosto a todos os que amam as doutrinas da graça. Por outro lado, receio que muitos pregam a soberania de Deus de modo tal que afastam inteiramente da ala calvinista todas as pessoas que crêem na livre ação do homem."

Não devemos ocultar a verdade por um momento sequer, mas devemos ter sabedoria para pregá-la sem que haja choque ou ofensa, e, sim, um esclarecimento gradativo daqueles que não conseguem vê-la de todo, e um processo pelo qual se conduzam os irmãos mais fracos ao pleno círculo da doutrina do evangelho. Irmãos, precisamos de sabedoria também no modo de colocar as coisas para diferentes pessoas. Pode-se demolir um ser humano com a mesma verdade destinada a edificá-lo. Pode-se causar enjôo a alguém com o mel com que se pretendia adoçar-lhe a boca. Tem-se pregado a grande misericórdia de Deus sem cuidado, o que tem levado centenas a licenciosidade. Por outro lado, tem-se ocasionalmente apregoado a terribilidade do Senhor com violência tão fulminante que tem levado muitos ao desespero, e daí a um decidido desafio ao Altíssimo. A sabedoria é proveitosa para dirigir, e aquele que a tem expõe a verdade na ocasião certa e trajada com as suas vestes mais apropriadas. Quem pode dar-nos esta sabedoria, se não o bendito Espírito de Deus? Irmãos,vejam que, com a mais humilde reverência, esperem a Sua direção.

"Pode-se demolir um ser humano com a mesma verdade destinada a edificá-lo. Pode-se causar enjôo a alguém com o mel com que se pretendia adoçar-lhe a boca. Tem-se pregado a grande misericórdia de Deus sem cuidado, o que tem levado centenas a licenciosidade. Por outro lado, tem-se ocasionalmente apregoado a terribilidade do Senhor com violência tão fulminante que tem levado muitos ao desespero, e daí a um decidido desafio ao Altíssimo."

 Este é o sétimo post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre O Espírito que é brasa viva.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O Espírito que Age


O Espírito que Age
C.H. Spurgeon

O Espírito de Deus age também como óleo que unge e isto se relaciona com todo o trabalho da pregação – não simplesmente com a alocução oral, mas com toda a transmissão do discurso. Ele pode fazê-los sensíveis ao assunto, até ao ponto de ficarem dominados por ele, quer achatados na terra, quer elevados às alturas como em asas de águias. Acresce que, além do assunto, Ele os faz sensíveis ao seu objeto, até anelarem pela conversão dos homens e pelo despertamento dos cristãos, para que se elevem a algo mais nobre do que tudo que já conhecem. 

Ao mesmo tempo, outro sentimento estará com vocês, a saber, um intenso desejo de que Deus seja glorificado mediante a verdade que estão proclamando. Vocês ficam conscientes de um profundo e compassivo interesse pelas pessoas a que estão falando, lamentando que alguns saibam pouco, e que outros saibam muito e, contudo, o recusam. Vocês fitam alguns semblantes e, em silêncio, o seu coração lhes diz: "Ali caí orvalho", e, voltando-se para outros, com tristeza percebem que são como as partes áridas da montanha de Gilboa.

Tudo isto se dá durante o sermão. Não podemos contar quantos pensamentos passam pela mente de uma vez. Uma vez contei oito grupos de pensamentos que ocupavam o meu cérebro simultaneamente, ou ao menos dentro do espaço do mesmo segundo. Estava pregando o evangelho com todas as minhas forças, mas não pude deixar de sensibilizar-me por uma senhora que estava evidentemente prestes a desmaiar, e também fiquei procurando o irmão encarregado das janelas, para que nos desse mais ar. Estava pensando na ilustração que omitira na primeira divisão, procurando dar forma à segunda divisão, perguntando-me se este sentira o peso da minha reputação, se aquele se fortalecera com a observação consoladora, e ao mesmo tempo estava louvando a Deus por desfrutar eu pessoalmente da verdade que estava proclamando. 

Alguns intérpretes consideram os querubins de quatro rostos como emblemas dos ministros. Eu certamente não vejo dificuldade na forma quádrupla, pois o Espírito Santo pode multiplicar os nossos estados mentais, e fazer de nós homens muito superiores além do que somos por natureza. O quanto pode Ele fazer de nós, e quão grandiosamente pode elevar-nos, não ouso conjeturar. Certamente Ele pode fazer muitíssimo acima do que pedimos ou pensamos. Especialmente faz parte da obra do Espírito Santo manter em nós uma disposição devocional enquanto estamos entregando a mensagem.

Esta é uma condição que se deve ambicionar grandemente – continuar a orar enquanto estamos ocupados com a prédica; cumprir os mandamentos do Senhor, dando ouvidos à voz da Sua Palavra; manter os olhos postos no trono, e as asas em constante movimento. Espero que saibamos o que isto significa. Estou certo de que sabemos o seu oposto, ou de que logo o experimentaremos, isto é, o mal de pregar sem espírito de devoção. Que pode ser pior do que falar sob a influência de um espírito arrogante ou irritado? Que é mais debilitante do que pregar num espírito incrédulo? 

Por outro lado, que bênção arder fervorosamente enquanto brilhamos diante dos olhos de outros! Esta é a obra do Espírito de Deus. Adorável Consolador, opera em nós! Em nossos púlpitos precisamos unir o espírito de dependência como de devoção, de modo que, durante a pregação toda, desde a primeira palavra até a última sílaba, olhemos ao alto para o Forte em busca de força. É bom lembrar que, embora tivessem chegado até o presente ponto, se o Espírito Santo os deixasse, fariam papel de tolos antes de acabar o sermão. Elevando os olhos para os montes de onde vem o socorro durante o sermão inteiro, com absoluta dependência de Deus, vocês pregarão com espírito de bravia confiança o tempo todo. 

Talvez eu esteja errado ao dizer "bravia", pois não é coisa bravia confiar em Deus; para os verdadeiros crentes é simples questão de doce necessidade – como podem deixar de confiar nEle? Por que haveriam de duvidar do seu Amigo sempre fiel? Outro dia de manhã, pregando à minha igreja sobre o texto, "A minha graça te basta", disse aos irmãos que pela primeira vez em minha vida tinha experimentado o que Abraão sentiu quando se inclinou sobre o seu rosto e riu. Voltava para casa depois de uma semana de trabalho intenso, quando vejo à minha mente o texto: "A minha graça te basta."  Veio, porém, com a ênfase posta em duas palavras: "A Minha graça te  basta." Minha alma disse: "Sem dúvida é assim. Seguramente, a graça do Deus infinito é mais que suficiente para um simples inseto como eu." E ri, e tornei a rir, ao pensar em quanto o suprimento excedia a todas as minhas necessidades. Parecia que eu era um pequeno peixe no mar, e na minha sede dizia: "Viva, vou beber o oceano inteiro." Então o Pai das águas ergueu sublime a cabeça e disse a sorrir: "Pequenino peixe, a ilimitada vastidão marinha te basta." 

Este pensamento fez com que a descrença parecesse supinamente ridícula, como de fato é. Irmãos, devemos pregar cientes de que Deus pretende abençoar a Palavra proclamada, pois temos Sua promessa neste sentido. E ao termos pregado, devemos procurar as pessoas atingidas pela bênção. Dirão vocês: "Fico dominado pelo espanto ao ver que Deus converte almas por meio do meu pobre ministério"? Falsa humildade! O seu ministério é pobre de verdade. Toda gente sabe disso, e vocês devem sabê-lo mais que ninguém. Mas, ao mesmo tempo, é coisa para espantar que, o Deus que disse: "A minha palavra não voltará para mim vazia", cumpra o que prometeu? A refeição irá perder o seu valor nutritivo porque o prato é barato? A graça divina haverá de ser sobrepujada por nossa fraqueza? Não. Mas temos este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não nossa. Precisamos ainda do Espírito Santo durante o sermão todo para manter os nossos corações e mentes em condição apropriada. Sim, porque, se não tivermos o espírito certo perderemos a entonação que persuade e prevalece, e o povo descobrirá que a força de Sansão o deixou. 

Uns pregam como quem está ralhando, e assim põem à mostra o seu mau gênio. Outros se pregam a si próprios, e assim revelam o seu orgulho. Alguns discursam como se estivessem condescendendo em ocupar o púlpito, enquanto outros pregam como se estivessem pedindo desculpa por existirem. Para evitar erros nas maneiras e no tom da prédica, precisamos ser guiados pelo Espírito Santo, posto que só Ele nos ensina com proveito.

Este é o quinto post que faz parte de uma série de 8 publicações sobre o Espírito Santo e sua relação com o ministério. O anterior falou sobre Espírito de cooperação.


sábado, 7 de maio de 2016

Mulher virtuosa, quem a achará?


Quem a achará? No livro de provérbios no capítulo 31 a partir do versículo 10 uma mãe escreve para seu filho lhe ensinando o valor da mulher virtuosa. Ela compara o seu valor com pedras preciosas. Destacando que uma mulher com este padrão excede muito o valor de jóias raras. Mas começa com uma pergunta: quem a achará? Ela existe? Sim, ela existe. Mas certamente é difícil encontrá-la. Da mesma forma que não é fácil encontrar uma pedra preciosa.

Onde encontrar esta mulher? Uma das características que mais se destacam nesta mulher é a confiança. Como é bom encontrar uma mulher leal, onde projetos e sonhos podem ser compartilhados. Mesmo nos momentos difíceis (e eles virão) ela permanece firme. Não por sua força, mas pela Graça que Deus a concedeu. Não é possível achar essa mulher procurando somente sua beleza física, mas sua beleza interior. Ela é capaz de amar verdadeiramente. O homem que confia em Deus procura essa mulher diligentemente e quando a acha, certamente alcançou a benevolência do Senhor (Pv 18:22).

qual o seu valor? Essa mulher faz o bem e não o mal, todos os dias da sua vida. Seu valor não é mensurável, sua capacidade de amar é indelével. É uma verdadeira herdeira das bençãos divinas e não aceita ser tratada com falta de respeito. Ela reconhece o seu valor e conhece quando um homem é valoroso, sabe amá-la e respeitá-la. Uma mulher virtuosa não é modelo de perfeição, mas busca o seu crescimento a cada dia mesmo que as circunstâncias não estejam favoráveis. É uma mãe virtuosa que ensina seus filhos no caminho que devem seguir.

Te amo para sempre Sherida! Feliz dia das mães!
A minha gratidão a Deus é sem medidas por ter encontrado uma mulher virtuosa e mãe dedicada. Todas as noites ao dormir e ao levantar sinto-me mais seguro por ter ao meu lado uma mulher de valor inestimável.

Essa mulher chama-se Sherida, a maravilha da minha vida e o amor que sempre busquei.

“Quem encontra uma esposa encontra algo excelente; recebeu uma bênção do Senhor.” Provérbios 18:22

terça-feira, 26 de abril de 2016

Será se sabemos receber com gratidão?


Uma vez me surpreendi com um irmão que se aproximou e disse "Você se importaria de receber uma cesta básica?" Eu fiquei por um minuto sem entender o motivo da pergunta, mas com um olhar curioso perguntei o motivo, pois do ponto de vista de necessidade eu estava realmente precisando. A resposta foi a seguinte: "É que uma vez fomos ajudar uma pessoa que estava precisando e ela disse que não precisava de esmolas." Ou seja, o orgulho falou mais alto no coração daquela pessoa.

Dentro desse contexto, hoje compartilho com os leitores o devocional do livro Luz para o caminho de Willian MacDonald.

"Nunca me lavarás os pés" (João 13.8)

O Senhor acabara de cingir-se com uma toalha de linho e derramara água em uma bacia para lavar os pés dos Seus discípulos. Quando chegou a vez de Pedro, este reagiu recusando-se terminantemente: "Nunca me lavarás os pés".

Por quê? Por que Pedro não queria aceitar do Senhor esse amoroso serviço? Por um lado, ele pode ter sentido toda a sua indignidade; ele não se considerava digno de ser servido pelo Senhor. Mas existe a possibilidade da reação de Pedro ter sido motivada por orgulho e independência. Ele não queria ser um receber de assistência. Ele não queria depender da ajuda dos outros.

Essa mesma postura impede muitas pessoas de serem salvas. Elas querem merecer a salvação, mas consideram aquém de seu nível recebê-la como um dom gratuito da Graça de Deus. Não querem ficar devendo nada a Deus. Mas "aquele que é orgulhoso demais para ter um dívida eterna e infinita para com Deus jamais poderá tornar-se cristão" (James S. Stewart).

Esse verso também contém uma lição para os que já são cristãos. Todos nós conhecemos cristãos que são doadores quase compulsivos. Estão sempre fazendo alguma coisa pelos outros. Sua vida consiste unicamente em servir seus parentes e vizinhos. Sua liberalidade e disposição para ajudar merece muitos elogios. Mas todo ânimo tem um lado negativo! Eles jamis querem aceitar ajuda para si mesmos. Aprenderam a dar generosamente, mas não aprenderam a receber com gratidão. Gozam da benção e da alegria de servir ao próximo mas privam os outros dessa mesma benção.

Paulo mostrou-se um grato recebedor das ofertas dos filipenses. Ele lhes escreveu cheio de gratidão: "Não que eu precure o donativo, mas o que realmente me interessa é o fruto que aumento o vosso crédito!" (Filipense 4.17). Ele pensava mais na recompensa dos filipenses do que nas suas próprias necessidades.

"Conta-se que o bispo Westcott, no final da vida, afirmou ter cometido um grande erro. Pois enquanto ele sempre esteve disposto a ajudar os outros até os limites de sua capacidade, jamais esteve disposto a permitir que os outros fizessem alguma coisa por ele. Como consequência, em sua vida faltava um elemento de amorosidade e completude. Ele havia negligenciado o aprendizado de ser recebedor de muitos gestos de bondade que não podem ser retribuídos" (J.O. Sanders).

Um poeta desconhecido resumiu com acerto:

"Considero grande aquele que, por causa do amor,
consegue dar de coração grande e aberto;
mas quem consegue receber por causa do amor,
esse eu considero, creio eu, ainda maior."