sexta-feira, 6 de maio de 2016

Pensando bem ...



Há 5 anos estava com a Vitória (filha) e, enquanto eu lhe fazia um cafuné, veio à memória uma série de recordações. Uma delas foi quando eu tinha entre 8 e 12 anos, recebendo também cafuné de minha avó enquanto ela contava histórias.

Pensando bem, como eu gostava daqueles afagos, ahh... como eu gostava! Da mesma forma que minha filha chega toda manhosa me pedindo uma massagem, eu chegava para minha vó para pedir um cafuné.

Pensando bem, lembro de outro momento marcante da minha vida quando o Matheus (filho) me chamou de pai pela primeira vez. Ele tinha em torno de 2 anos. Foi emocionante! Falei para todos os colegas de trabalho, registrei em um diário e foi motivo de gratidão a Deus.

Pensando bem, nunca vou esquecer de todos os pré-natais que fui com a minha esposa. Mas teve um especial! Foi quando ouvi o coração da minha filha bater pela primeira vez. Ela tinha apenas 2 meses e ainda no ventre da mãe. A emoção e as lágrimas foram inevitáveis! Naquele momento eu soube que era possível amar alguém sem conhecer.

Pensando bem, lembro de todas as vezes que me ajoelhei com minha esposa (em prantos) clamando ao Senhor diante das provações que passamos. Como foi confortante saber, mesmo sem saber como, que o nosso Pai estava preparando a seu tempo e a sua maneira, o livramento e o consolo para todas as situações. Como diz a Palavra de Deus: "É inútil que madrugueis, que tarde repouseis, que comais o pão de dores: aos seus amados ele o dá enquanto dormem" (Salmos 127.2). E a cada provação saímos cada vez mais fortalecidos na Fé e no Amor do Senhor.

Pensando bem, eu sou o que sou, não pelo que tenho, pelas conquistas, pelos bens que adquiri, pelas vitórias ou fracassos que tive. Sou o que sou, primeiramente,  pela atuação da Graça de Deus em minha vida. Mas também, resultado de todos os momentos que valorizei (ou não) com as pessoas mais importantes da minha vida.

"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não tem fim; renovam-se cada manhã. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca." Lm (3.22-25)

E você? O que valoriza? Quem valoriza? Onde deposita sua esperança? O que tem feito com os momentos preciosos que Deus te deu? Pense bem!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Arrogância: a arte de exigir o que não merece


Por que a arrogância é o maior e mais nefasto vício que alguém pode nutrir? 

Nos últimos anos tenho conhecido muita gente inteligente, com conhecimentos diversos e ícones em suas áreas. Curiosamente, muitos desses (não todos), quando falo com outras pessoas a respeitos das suas notórias qualidades intelectuais, vem logo em seguida a observação a cerca da presunção que eles tem de que sempre estão certos, que suas escolhas são as melhores e não podem ser contestadas.

Esse tipo de arrogância tem sido maléfica para muitas igrejas e instituições de maneira geral. Líderes que se julgam infalíveis, de escolhas perfeitas e acima de qualquer opinião contrária. Paradoxalmente, muitas dessas instituições cultivam a arrogância, mas acabam por mascará-la através de declarações de propósitos abertos e democráticos. Entretanto, na prática o pensamento é livre na medida em que não contradita a opinião dos que tem a presunção de que estão certos. É como se dissessem assim: "Todos são livres para emitirem suas opiniões, desde que estejam em conformidade com a minha."  

Para facilitar e refletirmos sobre nossas próprias ações, segue abaixo uma lista de características do arrogante e que pode nos ajudar numa auto análise se estamos ou não nutrindo esse vício:

1. Despreza a ideia dos outros;
2. Sonega o conhecimento ao semelhante;
3. Se vangloria por não dever nada a ninguém;
4. Ingratidão;
5. Pensa que toda ajuda que recebe nada mais é do que obrigação dos outros;
6. Julga-se invencível e indestrutível;
7. Não respeita a opinião dos outros;
8. Quando percebe que a opinião do outro é diferente da sua, interrompe e desrespeita a fala do outro;
9. Não sabe ouvir;
10. Se consideram os melhores, são verdadeiros deuses;
11. Consideram-se inabaláveis e insubstituíveis;
12. Dizem que ninguém sabe fazer o que eles fazem, são únicos e centralizadores

A arrogância derrubou muitos impérios no decorrer dos séculos. O Titanic afundou por uma negligência que foi motivada pela arrogância. Muitas nações que julgavam-se invencíveis ruíram. Líderes em várias áreas caíram. Enfim, aquele que busca a verdadeira sabedoria não pode dar espaço para a arrogância.

É importante destacar que existe uma diferença entre ser autoconfiante e arrogante. O primeiro é esforçado, bem informado e eficaz em suas intervenções. O segundo julga-se infalível, supervaloriza suas opiniões e tem enorme dificuldade em entrar num acordo a respeito de algum assunto que contraria suas atitudes. 

Em resumo, é importante lembrar que tudo o que aprendemos foi ensinado por alguém. Seja através do que nossos pais nos contaram, seja pelo que aprendemos com os nossos professores, lendo livros, assistindo filmes, em nossos relacionamentos, etc. Seja como for, todas as fontes formais ou informais são constituídas por pessoas.

Por que, então, essa arrogância? Por que não ouvir? Por que não agradecer? Por que não prestar atenção na opinião dos outros, ainda que diferente da nossa? 

Que Deus nos ajude a sermos mais autoconfiantes e menos arrogantes!

"A arrogância precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda." Provérbios 16:18

terça-feira, 3 de maio de 2016

Omissão e os seus efeitos na igreja


Existe uma armadilha que pastores e líderes devem tomar cuidado para não cair. É a armadilha de tentar manter a unidade e a paz numa igreja cultivando a omissão.

Uma vez conversando com uma moça sobre a disciplina na igreja, ela disse: "Não vejo sentido em igrejas disciplinarem as pessoas. Afinal, cada um vai prestar contas a Deus!" De fato, tem uma parte que ela tem razão, todos prestarão contas a Deus. E ela acrescentou: "Na minha igreja não tem essa história de disciplina."

Infelizmente, o que existe hoje em muitas igrejas é uma quantidade grande de joio no meio do trigo. Mas o que de fato chama a atenção não é a quantidade, mas o longo tempo que tais pessoas vivem e convivem no meio da igreja sem nunca serem confrontadas ou disciplinadas. 

É importante ressaltar que toda a igreja tem responsabilidade, pois todos os crentes que percebem esta situação não devem ficar omissos (Levítico 5.1). Porém, em maior parte, os líderes nessas igrejas pagarão um preço muito alto quando comparecerem diante daquele que ama as ovelhas, porque não tiveram coragem suficiente para se levantarem e confrontarem.

Muitas vezes a vaidade (sempre a vaidade) insiste em tomar um lugar significativo em nossos corações. Principalmente líderes, que em razão de uma reputação de não ter em seu histórico problemas em seus departamentos e/ou igrejas, preferem omitir-se do que enfrentar. Não obstante, aqueles que não fazem parte da liderança, também ficam amofinados, sentados, no meio de todo o teatro, dissimulação e mundanismo, com a justificativa: "Estou aqui apenas para adorar a Deus e ouvir a mensagem bíblica!" Esse pragmatismo não deveria ter espaço em nossas mentes! É um absurdo!

Desta forma, muitas igrejas ao longo do tempo ao invés de crescerem em Graça e Conhecimento do Senhor Jesus, transformam-se em verdadeiros oásis de hipócritas que se reúnem semanalmente para cumprirem meros rituais e celebrarem suas vaidosas reputações. Alimentando-se do discurso: "Há mais de 10 anos que na minha igreja eu não tenho problemas com os membros!" Talvez este seja um sinal que existe um grande problema. Omissão!

Penso que temos uma grande ferramenta nas mãos, mas pouco utilizada. Estou falando do discipulado pessoal. Hoje é muito comum nas igrejas membros que não tem ligação nenhuma uns com os outros. Aliás, tem pessoas que até se vangloriam que não sabem da vida de ninguém, que nunca visitaram a casa de ninguém, pois não querem criar laços de intimidade. Outro absurdo! Afinal, deveríamos ser partes de um só corpo. Compartilharmos as cargas. Não é isso? Mas como vou compartilhar cargas, se ninguém se envolve? Ou melhor, se ninguém se compromete com a vida do outro? Mas isso dá trabalho. É verdade! É preciso desenvolver um hábito. Talvez estruturar um programa de discipulado em pares seja um começo.

O pastor Martin Luther King disse o seguinte: "O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."

Que Deus abençoe as nossas igrejas e nos dê sabedoria e coragem para não sermos omissos!