sexta-feira, 15 de julho de 2016

É possível ser feliz em meio a lutas e dificuldades?



Existe um hino cristão cuja letra é a seguinte:

Se paz a mais doce
me deres gozar
se dor a mais forte sofrer
oh seja onde for
Tu me fazes saber
Que feliz com Jesus sempre sou.
SOU FELIZ COM JESUS
SOU FELIZ COM JESUS MEU SENHOR!

Talvez eu e você imaginemos que o autor quando fez este hino estava numa felicidade retumbante. Tudo dando certo em sua vida, talvez um dia radiante de vitórias e celebrações de resultados alcançados. Na verdade o autor desta música, o advogado Horatio Gates Spafford, ficou conhecido pela autoria deste hino, que originalmente tem o nome de It Is Well with My Soul, após uma tragédia em que quatro de suas filhas morreram em um acidente de navio em 1873. Somente sua esposa escapou. Ele, ao saber da notícia, foi ao local do naufrágio e enquanto seu coração era dilacerado pela profunda dor da perda, escreveu esta canção que até hoje é cantada em muitas igrejas.

Portanto, a pergunta é "Eu estou feliz?" ou "Eu sou feliz?" 

Perceba que o autor da música diz "EU SOU FELIZ" e não "EU ESTOU FELIZ". Todos nós passamos por problemas. Nós choramos, sofremos, ficamos tristes. Porém, é importante lembrarmos que não podemos ser dominados pela tristeza, pois mesmo no choro e na dor, existe um propósito. Quem disse que a caminhada iria ser fácil? Nossa vida é marcada por momentos de saúde e doença, prosperidade e adversidades, sorrisos e lágrimas. 

É preciso aprendemos a ter paz na tempestade. Mas de onde virá esta segurança? Fé em Deus! Jesus disse que no mundo teríamos aflições, mas ele estaria conosco. Deus não nos prometeu uma vida sem lutas, mas nos disse que ele venceu o mundo e nós também venceremos. Portanto, nossa alegria não deve depender das circunstâncias. 

Mas o que nos move a sermos alegres? Qual a nossa motivação enquanto Cristãos? C R I S T O! Só conhece essa alegria quem tem Jesus. Essa alegria o mundo não pode tirar e nem muito menos dar. Não é uma alegria fruto de uma conquista pessoal, não é uma alegria gerada por uma bebida, não é uma alegria de uma noite de aventura apaixonada. A alegria de Jesus é verdadeira e não está relacionada a fatores externos. Muitas pessoas estão felizes, mas não são felizes!

Muitas vezes em nosso cotidiano as circunstâncias, as pessoas, as coisas e a ansiedade tentam tirar nossa alegria e, infelizmente, muitas vezes conseguem. Vamos refletir um pouco sobre cada uma delas.

As circunstâncias

Talvez estejamos passando por momentos de extrema dificuldade em nossas vidas. O lar que era um local seguro, de afeto e amor, talvez tenha se tornado um cenário de amargura e tortura emocional constante. Talvez estejamos curtindo a dor de uma situação financeira precária, sofrendo as amargas consequências deste quadro tempestivo. Sim, tudo isso podem ser desculpas ou justificativas que estamos usando para roubar nossa alegria. E, se não tomarmos cuidado, essas circunstâncias roubarão nossa alegria e nos tornarão secos e amargos. 

Sim, eu sei que tem horas que não é fácil. E como sei! Diante de tantas adversidades é possível sermos alegres? A resposta é definitivamente SIM! Mas como? Primeiro, é preciso nos esvaziarmos de nós mesmos e nos enchermos de Deus. Enquanto a nossa arrogância prevalecer, enquanto o nosso copo estiver cheio não conseguiremos perceber a boa e agradável vontade de Deus em nossas vidas. No meio das tempestades não há lugar mais seguro do que confiar no Senhor. De outro modo, o lugar mais seguro sem Deus, é o mais perigoso.

Lembremos que ser Cristão não é deixar de ter problemas, mas vencê-los pela Graça e Poder de Deus.

Infelizmente, muitas pessoas acham que o cristianismo é um seguro contra as tempestades da vida. Há igrejas que pregam que o cristão não pode ter problemas, que não deve ficar doente, que não passa por dificuldades financeiras. Definitivamente, não é isso que ensina a Bíblia. O que Cristo nos ensinou é que com Ele podemos todas as coisas, mas sem Ele nada podemos fazer. Podemos enfrentar as adversidades, sem perder a alegria e cheios da Graça de Deus.

As pessoas 

Sim, muitas vezes as pessoas nos fazem sofrer mais que as circunstâncias. É possível que eu e você tenhamos cicatrizes, feridas provocadas pelas pessoas do que pelas dificuldades da vida. Talvez uma acusação imerecida, talvez a falta de solidariedade entre irmãos, amigos, familiares. Enfim, muitas vezes somos muito mais acusadores do que consoladores. Somos muito mais inquisidores do que incentivadores. Somos muitas vezes os que atacam violentamente a alma do abatido do que os que enchem de ânimo e esperança nas horas de fraqueza.

Bem, há um remédio infalível para as pessoas que tentam roubar nossa alegria. Talvez esteja pensando que este remédio seja prescrito para elas. Mas não, este remédio é para nós. Chama-se P E R D Ã O. Simplesmente Perdoe! Queremos mudanças? Que nós sejamos os agentes da mudança que tanto buscamos. Não vamos cair na armadilha que o problema está no outro, o problema está em nós.

Portanto, não vamos permitir que outras pessoas determinem nossas ações. Meu pai me dizia que eu não deveria me importar com o que os outros falam de mim, a não ser que seja verdade. Seja como for, devemos nos mirar em Jesus. Assim, teremos mais força para evitar que pessoas roubem nossa alegria.

As coisas 

Recentemente estava pensando a respeito de que coisas eu precisava e o que realmente era essencial em minha vida. Cheguei a conclusão que muitas coisas que estavam me tirando o sono por não ter, tratavam-se de coisas que o sistema em que vivemos nos coloca como essencial e na verdade não são.

Vivemos numa sociedade que valoriza mais o TER do que o SER. Muitas vezes compramos coisas que não necessitamos, com o dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que nem conhecemos. Há algumas semanas vi uma mensagem que me chamou atenção "O dinheiro nos leva onde queremos ir, mas o caráter nos levar onde precisamos ir". Estamos lapidando o nosso carácter? Podemos conquistar muitas coisas, mas sem caráter, sem sabedoria, sem amor, não iremos muito longe ou iremos onde não deveríamos ir.

Mas como as coisas podem nos tirar a alegria? A excessiva preocupação com as coisas materiais não só podem nos roubar a alegria, mas também a nossa própria alma.

Em resumo, não deixemos que as coisas nos tirem a alegria. Seja como for, com muito ou com pouco, sejamos alegres, pois o SER é mais importante do que o TER.

A ansiedade 

É um dos maiores problemas que temos nos dias de hoje. Muitas vezes a nossa ansiedade nos faz sofrer desnecessariamente, pois sofremos com antecedência um problema que, as vezes, não chega a acontecer. E, mesmo que aconteça, sofremos duas vezes, pois sofremos antes e depois dele acontecer. 

A ansiedade não ajuda em nada. Muito pelo contrário, nos tira as forças, as nossas energias, torna o problema maior do que ele realmente é, e enfraquece nossas esperanças. E, por consequência retira a nossa alegria.

A ansiedade muitas vezes nos afasta de Deus no momento em que mais precisamos Dele. Quando tivermos ansiosos, busquemos a Deus em oração. "Não andeis ansiosos por motivo algum, pelo contrário, sejam todas as vossas solicitações declaradas na presença de Deus por meio de oração e súplicas com ações de graça." Filipenses 4.6

Mas como viver livre desse ladrão de alegria? Primeiro é orar. Segundo é pensar corretamente. O que pensamos é o que determina o que fazemos e o que sentimos. Nós fazemos o que fazemos porque pensamos o que pensamos. "Assim como o homem pensa em seu coração, assim ele é." Nos só mudamos se nossas mentes forem transformadas. E o terceiro, é agir corretamente. 

Em resumo, não deixemos que a ansiedade roube nossa alegria. Vamos orar, pensar, sentir e agir corretamente para vivermos na liberdade e plenitude da Graça de Deus.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Viver o Cristianismo é simples, mas não é fácil


Infelizmente hoje está na moda criticar a Igreja. Mas, afinal o que está acontecendo? Existe uma expectativa errada a respeito do que as pessoas esperam da Igreja? O que deve se esperar de uma Igreja? A Igreja além de deixar claro o seu propósito está sendo coerente com as ações práticas?

Pensando em Igreja, podemos citar vários objetivos, tais como: enviar missões, organizar programações, construir sedes, cuidar da educação espiritual, criar departamentos, etc. O problema é quando a Igreja percebe tudo isso como objetivo e não como um canal, um meio. A Igreja existe para glorificar a Deus, evangelizar e discipular homens para Cristo na vida prática. E, se isso não acontece, a sede, a liderança, as missões, as pregações, a própria Bíblia não passam de uma perda de tempo.

Às vezes me vejo meditando sobre a vida Cristã e lembro-me de um livro que li chamado "Em seus passos o que faria Jesus?". Foi o primeiro livro cristão que li e que me fez perceber que a vida Cristã não era apenas uma questão de conhecimento sobre Deus. O livro nos leva a refletir sobre nossas ações como Cristãos e o que Jesus faria em nosso lugar diante de decisões e escolhas que temos que tomar em nossas vidas dentro e, principalmente, fora da Igreja.

O Cristianismo perde o sentido se for vivido apenas na Igreja. Mas isso todos já sabem não é? Sim, é verdade, sabemos. Porém, um propósito declarado é apenas uma declaração, ele só passa a ter credibilidade se observado na prática. As Igrejas estão criando e estimulando ambientes e práticas que incentivem uma vida verdadeiramente Cristã? Vejamos algumas algumas reflexões abaixo:

"Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes." Marcos 12:30,31. 

O que a declaração acima fala para a nossa vida prática? Como estamos amando a Deus em nossas ações no cotidiano? E amar ao próximo? Será se em nossa agenda nos importarmos com a pavorosa condição de homens, mulheres e crianças que estão morrendo, espiritual e fisicamente, necessitado de ajuda de cristãos? Será se nos importamos com milhares de pessoas que estão envolvidas em álcool e drogas, que morrem aos milhares todos os dias? O que estamos fazendo a respeito? Lendo, lendo e lendo a Bíblia, livros cristãos, tornando-se ovelhas gordas e mais gordas de teologia e sem nenhuma atitude prática? Isso é amar o próximo?

Conhecemos pessoas diariamente em dificuldades, sem emprego, sem trabalho, sem comida, com problemas de toda ordem, apelando muitas vezes para o suicídio quando veem que não estão conseguindo atingir seus objetivos. O que fazemos? Como Cristãos, podemos afirmar que não temos nada a ver com isso? Cada um deve cuidar de si? Não, não creio e nem aceito que deve ser assim. Não foi isso que Jesus ensinou. O que Jesus faria? Será se ele diria "Estou orando por você" e seguiria seu caminho tranquilo e confortavelmente?

Atualmente temos um número enorme de Igrejas e de Cristãos nominais. Mas é preciso uma reflexão profunda do que é ser Cristão. Penso que de uma forma não intencional muitas Igrejas estão fomentando um Cristianismo morno, um Cristianismo com muita ortodoxia e pouca ortopraxia, ou seja, muita teoria e pouca prática. Uma forma de discipulado centrado no crescimento pessoal e individual, formando ovelhas gordas, cheias de conhecimento, verdadeiros doutores da lei. Mas com pouco resultado prático. Quantos novos Cristãos foram discipulados por estas ovelhas? Poucos ou nenhum. Tem algo de errado! A ordem foi formai discípulos. Este modelo está produzindo um discipulado que o próprio Jesus Cristo não reconheceria como genuíno.

Se nossa definição de cristianismo se reduz a desfrutar os privilégios da adoração na Igreja, sermos generosos com os dízimos e ofertas, vivermos no conforto de nossos lares e buscar mais e mais conhecimento, então estaremos longe de seguirmos os passos de Jesus.

Viver o Cristianismo é simples, mas não é fácil. Temos que ter cuidado para não vivermos anos e anos numa vida Cristã fácil e nominal, sentados no banco de uma igreja, com a Bíblia debaixo do braço (ou no celular), elevando nossas vozes em cânticos de adoração e nos reduzindo a nós mesmos. Não acredito que é isso que Cristo quer para seus filhos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Quando apagamos o Espírito Santo?


Continuando temas relacionados ao Espírito Santo, compartilho o devocional extraído do livro do William MacDonald, chamado "Luz para o caminho - Meditações Diárias". Ele teve como propósito em sua vida destacar com clareza e objetividade os ensinamentos bíblicos para a prática cristã. Tem mais de 80 livros publicados. No Brasil uma de suas obras é "O Discipulado Verdadeiro", considerado um clássico cristão.

William MacDonald

Geralmente pensamos em apagar como algo relacionado a um incêndio. Apagamos o fogo quando jogamos água nele. Ao fazê-lo, ou extinguimos completamente ou reduzimos muito sua extensão e eficácia.

Fogo é usado nas Escrituras como um paralelo para o Espírito Santo. Ele é intenso, abrasador, entusiástico. Quando as pessoas estão sob o controle do Espírito Santo, elas brilham, ardem, transbordam. Apagamos o Espírito quando suprimimos a Sua manifestação nos encontros do povo de Deus.

Paulo diz "Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias". A forma como ele liga o apagar do Espírito como o desprezo das profecias nos leva a crer que esse apagar tem a ver primariamente com as reuniões na igreja local.

Apagamos o Espírito quando fazemos alguém ter vergonha de seu testemunho para Cristo, seja em oração, em adoração ou no ministério da Palavra. Crítica construtiva é uma coisa, mas quando cesuramos alguém por suas palavras ou por detalhes minuciosos. somos capazes de desencorajá-lo ou derrubá-lo em seu ministério público.

Também apagamos o Espírito quando temos cultos tão excessivamente organizados que O prendemos em uma camisa de força. Se os programas forem planejados em oração e dependência do Espírito Santo, não há quem se oponha. Mas programas planejados com base na sabedoria humana têm o efeito de tornar o Espírito Santo um espectador ao invés de Líder.

Deus deu muitos dons à Igreja. Ele usa dons diferentes em momentos diferentes. Talvez um irmão tenha uma palavra de exortação à comunidade. Se todo o ministério público estiver centralizado em outro homem, então o Espírito não tem liberdade para trazer a mensagem necessária na hora certa. Esta é outra forma de apagar o Espírito.

Por fim, apagamos o Espírito quando rejeitamos suas sugestões quanto às nossas próprias vidas. Talvez sejamos levados a ministrar poderosamente sobre certo assunto, mas nos seguramos por temor de homens. Nos sentimos impelidos a liderar um grupo em oração, mas permanecemos sentados por timidez. Pensamos em um hino que seria particularmente relevante naquele momento, mas não temos coragem de sugeri-lo. 

O resultado é que o fogo do Espírito é apagado, nossos encontros perdem sua espontaneidade e o corpo local é empobrecido.

"Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias" (1 Tessalonicenses 5.19-20)